FAO: Cimeira dá impulso à agricultura para acabar com a fome

A cimeira Mundial sobre a Segurança Alimentar terminou ontem os seus três dias de reuniões após alcançar um compromisso da comunidade internacional em realizar mais investimento na agricultura e erradicar a fome no mais curto prazo possível.

O Director Geral da FAO, Jacques Diouf, anfitrião do evento, assegurou que a Cimeira significou “um passo importante para alcançar o nosso objectivo comum: um mundo livre da fome”.

Mas acrescentou “com pesar”, que a Declaração oficial adoptada pela Cimeira na passada segunda-feira “não indica objectivos quantificáveis ou prazos específicos que facilitem supervisionar a sua implementação”.

A FAO tinha proposto estabelecer como objectivo a erradicação total da fome da face da terra em 2025 e o aumento da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) à agricultura até alcançar 44 000 milhões de dólares americanos anuais para investimento na agricultura e infra-estruturas rurais nos países em desenvolvimento.

Compromissos importantes

A Cimeira, no entanto, teve como resultado quatro importantes compromissos, segundo Diouf.

1.- Um firme compromisso de renovar os esforços para alcançar o Primeiro Objectivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir a fome para metade em 2015 e erradicá-la a nível mundial com a maior brevidade possível.

2.- O compromisso de melhorar a coordenação e a governança a nível internacional da segurança alimentar mundial através de uma profunda reforma do Comité de Segurança Alimentar Mundial (CSA) da FAO, que passaria a converter-se num componente central da Associação Mundial para a Agricultura, a Segurança Alimentar e a Nutrição. Ampliado para incluir as partes implicadas dos sectores público e privado, as organizações não governamentais, e elevado o nível ministerial, o CSA coordenará os esforços internacionais contra a fome, e deverá tomar decisões rápidas e informadas sobre questões alimentares a nível mundial. Para este trabalho contará com a ajuda de um painel internacional de peritos de alto nível.

3.- Uma promessa de inverter a tendência decrescente dos investimentos nacionais e internacionais na agricultura, segurança alimentar e desenvolvimento rural nos países em desenvolvimento e incrementar de forma significativa a sua percentagem nas ajudas públicas ao desenvolvimento.

4.- A decisão de promover novos investimentos em produção e produtividade agrícola nos países em desenvolvimento para reduzir a pobreza e alcançar a segurança alimentar para todos.

“Estou convencido que juntos podemos erradicar a fome do nosso planeta”, declarou Diouf. “Mas – acrescentou – devemos passar das palavras aos actos”.

“Actuemos para conseguir um mundo mais próspero, justo, equitativo e pacífico. Mas sobretudo, actuemos rápido porque os pobres e os famintos não podem esperar”, concluiu.

A Cimeira adoptou os Cinco Princípios de Roma para a Segurança Alimentar Mundial Sustentável: 1) investir em planos que estejam nas mãos do país afectado, canalizando os recursos para programas baseados no resultado e bem desenhados e associações; 2) fomentar a coordenação estratégica a todos os níveis para melhorar a governança, promover uma melhor afectação dos recursos e evitar a duplicação; 3) escorçar-se num enfoque de dupla via da segurança alimentar que inclua a curto prazo medidas de emergência e de desenvolvimento a longo prazo; 4) trabalhar para melhorar a eficiência, coordenação e eficácia das instituições multilaterais; e 5) garantir um compromisso sustentável e substancial de todos os sócios para investimentos na agricultura, segurança alimentar e nutrição.

Alterações climáticas

A Cimeira acordou igualmente “enfrentar-se de forma proactiva os desafios que as alterações climáticas coloca à segurança alimentar e à necessidade de adaptação e de mitigação na agricultura…. com particular atenção aos pequenos produtores agrícolas e às populações vulneráveis

Além dos Estados Membros e de representantes de organizações internacionais e regionais, que intervieram no Plenário, nos dias prévios à Cimeira tiveram lugar diversas reuniões para assegurar-se que se ouviam todas as vozes. Em Milão celebrou-se um fórum do sector privado nos dias 12 e 13 de Novembro, em Roma convocou-se um dia do Parlamento a 13 de Novembro e um Fórum da Sociedade Civil de 14 a 16 deste mesmo mês. As declarações destes diversos eventos foram lidas no Plenário da Cimeira.

Sessenta Chefes de Estado e de Governo e 191 ministros de entre os 182 Estados Membros da FAO, assim como a Comunidade Europeia, vieram à Cimeira. Entre as diversas personalidades que intervieram encontrava-se o Papa Benedito XVI, que assegurou que as regras que regulam o comercio internacional deveriam estar separadas da “lógica do lucro visto como um fim em si mesmo”.

Fonte: Agroportal

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