A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), para assinalar o Dia Mundial da Água, a 22 de Março, sublinhou a responsabilidade do sector agrícola, como maior consumidor de água potável do mundo, na procura de soluções para a crescente procura deste recurso e para o impacto que isso terá no planeta.
A agricultura consome um total de 70 por cento da água doce extraída de lagos, rios e aquíferos de todo o mundo, uma percentagem que chega aos 95 por cento em muitos países em desenvolvimento. É nestes países que se localizam cerca de três quartos das terras irrigadas de todo o mundo.
Para o director-geral da FAO, Jacques Diouf, a escassez de água é «o problema do século XXI». A principal dificuldade passa por definir formas eficazes de conservação, utilização e protecção dos recursos hídricos; é que, para corresponder ao crescente ritmo da procura de alimentos previsto para os próximos 30 anos, será necessário canalizar para a agricultura mais 14 por cento de água doce.
«Ao mesmo tempo que cresce a população e as necessidades de desenvolvimento exigem maior quantidade de água para cidades, agricultura e indústria, a pressão sobre os recursos hídricos intensifica-se, levando a tensões e conflitos, assim como a um impacto excessivo sobre o ambiente», disse o responsável.
Em comunicado, a FAO reconhece que as alterações climáticas vieram complicar a situação, já que se prevêem secas mais frequentes, tempestades e inundações que destruirão colheitas agrícolas, contaminarão a água e inutilizarão infra-estruturas de armazenamento e transporte.
Os pequenos agricultores serão os mais afectados, uma vez que são eles quem ocupa terras marginais e quem depende da água da chuva para subsistir. Mas a FAO considera que existem oportunidades para estes produtores melhorarem as suas capacidades, passando a contar com recursos hídricos mais seguros e sustentáveis.
«Com os investimentos e incentivos adequados à mitigação dos riscos para os agricultores, a melhoria do controlo da água na agricultura tem um potencial considerável para incrementar a produção de alimentos e reduzir a pobreza, ao mesmo tempo que se garante a manutenção dos serviços que oferecem os ecossistemas», explicou Diouf.
Apesar da maioria da agricultura ser de sequeiro, a agricultura de regadio melhorou significativamente a qualidade de vida de muitas populações, no alívio da fome e na melhoria dos meios de subsistência. De facto, embora o regadio ocupe apenas 20 por cento das terras de cultivo, é responsável pela produção de 40 por cento dos alimentos.
Mas, no futuro, a agricultura não pode depender do regadio e a promoção de boas práticas agrícolas também deve ser uma solução, já que promove aumentos substanciais de produtividade nas explorações de regadio de grande escala e diminui, por isso, a pressão sobre os recursos hídricos.
Além disso, a FAO apelou a um maior apoio a programas internacionais dedicados a bacias hidrográficas, através dos quais se pode coordenar a resposta de diversos governos e organismos.
«Existe potencial para proporcionar a todos um abastecimento adequado e sustentável de água de qualidade, hoje e no futuro», afirmou o director-geral da FAO. «Mas não há espaço para a complacência. É nossa responsabilidade partilhada aceitar o desafio da crise mundial de água hoje e resolvê-lo em todos os seus aspectos e dimensões».
Fonte: FAO e Confragi
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal