Famílias gastam mais na comida e menos nos bens duradouros

A subida no consumo de bens correntes pelas famílias ajuda a explicar o crescimento de 0,3% da economia no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano As compras dos portugueses nos supermercados voltaram a acelerar entre Abril e Junho, em comparação com o primeiro trimestre.

As famílias compram mais alimentos mas, em contrapartida, continuam a cortar nos gastos em bens duradouros, como electrodomésticos ou carros.

É mesmo este aumento do consumo de bens correntes pelas famílias, em conjunto com um contributo ligeiramente mais positivo do comércio externo, que explica o crescimento de 0,3 por cento da economia dos primeiros três meses para o segundo trimestre, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A economia terá saído da recessão, mas ainda assim acusa uma queda de 3,7 por cento entre Abril e Junho deste ano, em comparação com igual período do ano passado.

Em boa verdade, os portugueses nunca chegaram a cortar na factura com o supermercado, durante esta recessão oficialmente declarada em Outubro do ano passado. Mas, em termos globais, o consumo caiu desde Fevereiro deste ano, já que estão, consecutivamente – desde meados do ano passado – a cortar nas compras mais “pesadas”, como os electrodomésticos. “O indicador de consumo privado apresentou uma redução menos intensa no segundo trimestre de 2009, em resultado do contributo positivo do consumo corrente e menos negativo do consumo duradouro”, relata o INE.

O investimento continuou a cair no segundo trimestre relativamente aos primeiros meses do ano, embora a um ritmo mais suave. Mas, no último mês do trimestre, em Junho, os indicadores do investimento voltaram a aproximar-se do ponto mais baixo de sempre. Por detrás desta tendência de de- gradação manifestada em Junho pode estar o investimento na construção e em máquinas e equipamentos.

Segundo dados do INE, o volume de negócios da indústria evoluiu menos negativamente, o que pode explicar a manutenção do indicador da actividade económica no ponto mais baixo de sempre.

Mas, apesar destas contrariedades da economia, há mais empresários optimistas, já que o clima económico melhorou, o que interrompe uma tendência de degradação verificada desde meados do ano passado. Este optimismo pode ser explicado por uma evolução mais positiva na produção da indústria transformadora, após um primeiro trimestre “desastroso”, bem como uma apreciação mais favorável dos construtores.

Há mais empresários a referirem uma opinião favorável sobre a carteira de encomendas externas, mas, em contrapartida, há mais cepticismo quanto ao volume de exportações. Seja como for, o contributo do comércio externo para o crescimento da economia terá sido positivo no segundo trimestre, com as importações a registarem uma queda mais acentuada em comparação com as vendas ao exterior. A quebra nas exportações é explicada pelas quedas do consumo das famílias e por uma menor apetência dos empresários em comprar mercadorias, bem como equipamentos e máquinas.

Fonte: Anil

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