As reservas europeias de medicamentos antivirais para a gripe das aves são insuficientes. O comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou, disse ontem, em Bruxelas, que os Estados membros só dispõem de 10 milhões de doses para 450 milhões de pessoas – ficando a faltar cem milhões para os 110 milhões recomendados pela Organização Mundial de Saúde para garantir tratamento a 25% da população mundial. No dia em que a Hungria anunciou a criação de um protótipo de vacina da gripe das aves, a Comissão Europeia (CE) informou que quer saber como está a ser planeada a coordenação dos 25 na resposta a uma pandemia. Esse deverá ser o tema central do Conselho Informal de ministros da Saúde, que começa hoje no Reino Unido. Portugal apresenta hoje o Plano de Contingência para a Gripe Aviária.
A trabalhar para cumprir as recomendações da OMS, o comissário europeu para a Saúde, Kyprianou, vai encontrar-se com a indústria farmacêutica para debater o aumento da produção de antivirais. Para já, o laboratório Sanofi-Aventis afirma que os resultados dos testes clínicos de um protótipo de vacina contra a gripe das aves serão conhecidos até final do ano. “O protótipo foi testado em 400 pessoas entre os 18 e os 60 anos”, afirmou ontem a directora de programas de investigação e desenvolvimento do laboratório.
Vacina. Ontem, cientistas húngaros anunciaram a criação de um protótipo de vacina contra a gripe das aves, com resultados positivos em ensaios clínicos realizados em humanos. Em conferência de imprensa, o ministro da Saúde húngaro, Jeno Racz, explicou que “os ensaios clínicos tiveram resultados positivos, uma vez que foram encontrados anticorpos no sangue dos voluntários”. Racz disse ainda que “a Hungria possui tecnologia para produzir rapidamente, em grandes quantidades e de forma eficaz, uma vacina contra o vírus”.
Segundo o director-geral da Saúde, Francisco George, Portugal já adquiriu 2,5 milhões de doses de tratamento completo para as manifestações da doença na população. Este tratamento faz parte de uma reserva estratégica que só estará disponível no segundo semestre de 2006, quando se prevê “maior probabilidade de termos problemas”, diz.
Em Bruxelas, Markos Kyprianou indicou que, apesar dos esforços para evitar o pior cenário, “é necessário fazer planos para essa eventualidade. As autoridades públicas de saúde europeia estão envolvidas num esforço intenso para reforçar a preparação contra a pandemia”, que deve incluir transportes, energia e educação. A coordenação na resposta será hoje o tema do Conselho de Ministros da Saúde, no Reino Unido, onde poderá ser decidido o reforço de medidas de controlo e isolamento.
estado de emergência. O Go-verno alemão informou ontem que vai adoptar um regulamento de emergência e ordenar o enclausuramento de todas as aves domésticas, depois de terem surgido novos casos na Europa, nomeadamente na parte europeia da Rússia – onde foi detectado o primeiro foco de gripe das aves depois de o Laboratório Nacional de Gripe das Aves ter encontrado vestígios de H5N1 em várias amostras provenientes de Tula -, mas também um novo caso na Roménia.
A proibição de manter aves domésticas a céu aberto, para evitar o contacto com aves selva- gens, entra em vigor no sábado, depois de o despacho ser promulgado na Folha da Lei Federal, amanhã. “A situação de risco mudou, é agora mais preocupante”, disse ontem o ministro da Defesa do Consumidor, Juergen Trittin.
O Governo holandês ordenou também o isolamento dos galinheiros de particulares nas regiões de risco no país durante o perío- do de migração das aves para limitar riscos de transmissão da gri- pe das aves. “Dado o nível de ris-co, acho necessário isolar tam- bém estes animais”, disse o ministro.
A ministra da Agricultura espanhola, Elena Espinosa, disse ontem que o surgimento de uma pandemia de gripe aviária é “ficção científica”, depois de anunciar a compra de cinco milhões de vacinas suplementares para as aves. “Pensar numa pandemia humana é fazer ficção científica”, disse, em entrevista à rádio privada Cadena Ser. Na mesma entrevista, anunciou que os testes a aves migratórias vão triplicar no país.
Fonte: DN
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