Falta de água potável mata dois milhões crianças por ano

O mundo enfrenta uma grave crise humanitária devido à escassez de água, que provoca a morte de cerca de dois milhões de crianças por ano, indica o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), publicado em Novembro.
O número é semelhante ao de mortes causadas pela SIDA em todo o mundo, 2,5 milhões de pessoas, de acordo com a ONU.

O alerta já fora dado em Janeiro, no Fórum Social Mundial realizado no Mali, onde se revelou que cerca de 34.000 pessoas morrem diariamente por falta de água potável.

Apenas 2% da água da Terra é potável e, daquela percentagem, 87% está concentrada nas calotes polares sob a forma de gelo. Da restante, uma grande parte encontra-se em lençóis sob a superfície terrestre.

A má gestão dos escassos recursos hídricos faz com que as mudanças ambientais levem a que 1,1 mil milhões de habitantes do planeta não tenham acesso regular a água potável, e que 2,4 mil milhões não disponham de serviços sanitários básicos, apontou o relatório da ONU sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos do Mundo, publicado em Março.

No último século, o consumo de água aumentou seis vezes, enquanto a população triplicou.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), cerca de 3 mil milhões de pessoas viverão em 2025 em países em conflito por falta de água.

A África conta com apenas 9% dos recursos mundiais de água potável e a Unesco calcula que 230 milhões de africanos sofrerão com a escassez de água em 2025.

Na América Latina, os rios Paraná, Paraguai, Pilcomayo e parte do Amazonas sofrem os efeitos da poluição.

O acesso à água varia entre as regiões latino-americanas, onde, a América do Sul, por exemplo, dispõe de 26% da água e tem 6% da população.

Na América do Norte encontram-se os maiores registos de cobertura, abastecimento e saneamento de água do mundo. A maior parte da população tem acesso a água potável e saneamento básico.

Nos EUA, o segundo maior produtor de energia hidráulica do mundo, 49% da água doce é utilizada na agricultura.

Os 5% da população mundial que vivem no Médio Oriente e no Norte da África contam com menos de 1% da água disponível no planeta.

Na região Ásia/Pacífico, 86% da água consumida é destinada à agricultura, 8% à indústria, e apenas 6% ao uso das pessoas.

A China, Índia e Indonésia contam com metade de toda a água da região. Um terço da população que vive naquela parte do mundo não dispõe de saneamento básico.

Na Europa, são consumidos 300 litros de água diários por habitante, duas vezes menos do que nos EUA e no Japão, mas 20 vezes mais do que na África Subsaariana.

O problema está no sistema de distribuição, o qual faz perder 40% da água, revela o relatório do PNUD. Na Europa, 18% da população vive em países com escassez de água, entre os quais Espanha, Itália, Chipre e Malta.

Por outro lado, as mudanças climáticas agravarão a actual escassez de água em muitas regiões do Sudeste Asiático e da África, e aumentará a propagação de diversas doenças, como a malária, dengue, febre amarela e cólera, sobretudo na Ásia, África e América Latina.

As regiões melhor preparadas para enfrentar a mudanças climáticas são a Europa e a América do Norte, mas também estas sentirão os efeitos negativos do fenómeno, indica o relatório.

Fonte: Diário Digital

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