Falso alarme de gripe das aves deixa Bélgica com pele de galinha

A Bélgica acordou ontem para um susto. Às redacções chegavam notícias daquilo que poderia tornar-se no primeiro caso humano de gripe das aves, no seio da União Europeia. Um homem vindo da Turquia – onde o vírus H5N1 infectou já 18 pessoas – foi internado em Bruxelas, com sintomas da doença. Ao início da tarde, no entanto, a Europa suspirava de alívio os testes deram negativo. E o paciente, afinal, era um jornalista russo, a morar na Bélgica, que tinha estado em reportagem nas regiões turcas afectadas pela doença e, por acaso, se constipara.

“Temos 100% de certeza de que não se trata de gripe das aves”, afirmou, aliviado, René Snacken, virólogo do Instituto de Saúde Pública, numa conferência de imprensa no Hospital Saint Pierre, em Bruxelas, onde o suspeito de 28 anos estava internado, sob vigilância, desde sexta-feira à noite.

Depois de ter visitado, em reportagem, quintas e hospitais na região de Van, na Turquia, o jornalista – que trabalha para uma estação televisiva russa – voltou à Bélgica. Mas a tosse e a febre alta levaram-no a recorrer a uma clínica privada nos arredores de Bruxelas, que, tendo em conta os procedimentos de urgência, o colocou de imediato numa ambulância de alta segurança, rumo ao hospital especializado.

Aí, o jovem foi isolado numa câmara de pressão e tratado como se estivesse, de facto, infectado pelo H5N1. Os testes, realizados de imediato e enviados para o laboratório, acabaram por se revelar “por duas vezes, negativo para o vírus H5 e, por duas vezes, positivo para o H3”. Ou seja o jornalista não contraíra mais do que a gripe sazonal. E, se tudo correr bem, terá alta esta tarde.

Mas, se é certo que a história acabou por se tornar num mediático falso alarme, também não há dúvidas de que serviu de teste às autoridades de saúde europeias. Numa semana em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou, na Turquia, que o vírus H5N1 sofreu uma mutação que o pode tornar mais perigoso, os receios de uma pandemia de gripe vão ganhando força. E a necessidade de ajustar os sistemas de prevenção de cada país também.

Na Bélgica, por exemplo, a notícia de um potencial caso humano foi avançada um dia depois de as autoridades alfandegárias belgas terem anunciado a apreensão de 55 toneladas de aves provenientes da China – onde o governo admite existirem cerca de 30 focos de contaminação da doença. Segundo as autoridades alimentares belgas, já há seis meses que uma empresa tentava importar ilegalmente produtos chineses, mas toda a carga foi sendo sempre “interceptada e destruída”.

Ontem, e no mesmo dia em que o governo turco reuniu com os produtores de aves e decidiu criar um comité técnico para os ajudar a lidar com o problema, foi a vez de o Líbano fazer soar o alarme e reforçar as suas medidas de prevenção. Com o vírus a propagar-se em regiões turcas que fazem fronteira com a Síria, Beirute considerou que o seu país está também na “zona de risco”.

Recorde-se que o número de vítimas mortais da gripe aviária subiu ontem para 79, depois de a OMS ter confirmado que foi o H5N1 o responsável pela morte da mulher indonésia de 29 anos, na quinta-feira.

À medida que se multiplicam os receios de uma epidemia de gripe à escala mundial, fazem-se também as contas. Segundo o Banco Mundial, o custo global de uma pandemia ficará entre os 1200 e os 1400 milhões de dólares. Só para reforçar os sistemas de saúde dos países afectados, serão precisos 157 milhões de dólares.

Fonte: DN

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