Explorações Agrícolas Precisam de “Atitude de Empresa” para Viver sem Fundos UE

Os agricultores devem assumir uma “atitude de empresa” e garantir a rentabilidade das suas explorações, antecipando o cenário de diminuição e previsível corte de subsídios da União Europeia, afirmou sábado o gestor Luís Filipe Pereira.

Numa altura em que a tendência é para redução dos apoios comunitários, “não é mais possível ter uma atitude expectante” de subsídios, afirmou à agência Lusa o ex-ministro e hoje presidente-executivo da CUF (Grupo José de Mello).

Filipe Pereira é um dos oradores da conferência Agricultura, uma Actividade Comercial, marcada para segunda-feira, que é organizada pela Adubos de Portugal, do grupo CUF.

A alteração da realidade a nível comunitário, considera, torna “urgente uma reconversão” das explorações, até porque as estimativas apontam para que perto de três quartos delas não sejam viáveis sem ajudas.

“Cada uma das explorações agrícolas tem de ter uma estratégia própria e começar a olhar para a rentabilidade, preocupando-se com clientes, serviços de apoio, canais de distribuição e marketing”, defendeu.

“Como qualquer outra empresa, não podem estar à espera de subsídios, e não podem viver na certeza de que serão rentáveis mesmo que não consigam escoar a sua produção”, adianta Luís Filipe Pereira.

“A tendência é para os fundos desaparecerem, e é bom lembrar que vai haver alterações profundas no sector”, afirma, considerando os recentes casos do corte dos apoios à produção de tabaco ou açúcar de beterraba.

Entre as produções mais vulneráveis no futuro, considera, estão os cereais onde se anunciam “cortes dramáticos”.

Mas, adianta, “continua a haver bastantes casos de sucesso”, nomeadamente nos vinhos, azeite e hortofrutícolas.

Para o ex-ministro da Saúde, o objectivo da conferência de segunda-feira é “contribuir para que o debate sobre o futuro da agricultura se coloque na opinião pública, e apontar possíveis soluções”.

Além de Filipe Pereira, estão previstas intervenções de Mira Amaral, sobre o enquadramento macroeconómico do sector, e de responsáveis de empresas como Camposol e Herdade do Esporão, da Fundação Eugénio de Almeida e da Associação de Indústrias do Tomate.

Fonte: Lusa

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