A obesidade pode dar origem a inúmeras doenças: problemas cardiovasculares, cancros, diabetes, distúrbios respiratórios, entre outras. Dois cientistas acrescentaram mais duas alíneas à lista de consequências negativas do excesso de peso: maiores contribuições para o aquecimento global e para a insegurança alimentar, que nos últimos meses saltou para o espectro mediático com o aumento dos preços dos cereais e as crises que alguns países enfrentam porque os mais pobres deixaram de conseguir comprar esses alimentos.
Phil Edwards e Ian Roberts, investigadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine (Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres), verificaram que uma pessoa obesa necessita de 1680 calorias diárias para sustentar o seu consumo normal de energia e mais 1280 calorias para realizar as actividades diárias, o que representa mais 18 por cento que um indivíduo com peso normal.
Quanto maior a exigência de alimentos, maior a emissão de gases de efeito estufa, provocada pelo consumo de petróleo por parte da maquinaria usada na agricultura e do transporte desses alimentos. Segundo Edwards, um quinto dos gases de efeito estufa é emitidos pela agricultura.
“Adicionalmente, mais petróleo será usado para transportar o volume acrescido da população obesa, o que irá aumentar ainda mais se, como é provável, em resposta ao maior volume corporal, as pessoas com excesso de peso escolham andar menos e conduzir mais”, afirmaram os autores do estudo, publicado no jornal “Lancet”.
Uma maior necessidade de alimentos por parte das pessoas com excesso de peso contribui também para a insegurança alimentar que a Humanidade enfrenta, pois aumenta a competição na busca por alguns alimentos básicos, como os cereais, os mesmos que são cada vez mais usados na produção de biocombustíveis, uma tentativa de resposta aos às crescentes necessidades energéticas dos humanos e ao aumento das temperaturas do planeta.
No seu trabalho, os investigadores usaram as estatísticas da Organização Mundial de Saúde para demonstrar que o impacto no aquecimento global e na segurança alimentar, causado pelo aumento do peso das populações, não é insignificante: em 2012, o excesso de peso atingirá 2,3 mil milhões de adultos e mais de 700 milhões serão obesos.
“Políticas urbanas de transportes que promovam as caminhadas ou o ciclismo reduzirão os preços dos alimentos ao reduzirem a procura global por petróleo, e a promoção de uma distribuição normal de IMC [Índice de Massa Muscular; relação entre peso e altura] reduzirá a procura global por alimentos e, consequentemente, os preços. A diminuição do uso de carros reduzirá as emissões de gases de efeito estufa e, em consequência, a necessidade de biocombustíveis, e o aumento dos níveis de actividade física reduzirá o risco de lesões e de poluição do ar, melhorando a saúde das populações”, escreveram os autores.
Analistas do Deutsche Bank prevêem que a tendência para os preços altos nos alimentos, essencialmente cereais, continuará pelos menos nos próximos quatro anos, não apenas devido à especulação, mas essencialmente devido a factores estruturantes.
Fonte: Público
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal