Os consumidores europeus chegam a pagar pelos produtos cinco vezes mais do que o preço recebido pelo agricultor. Um gasto adicional que tem um grande impacto sobre os lares, especialmente os de rendimentos mais baixos, nos quais a alimentação representa a parcela mais importante do orçamento familiar, de acordo com a avaliação feita pelo Parlamento Europeu.
A Europa pode presumir possuir uma das agriculturas mais eficientes do mundo, mas tal facto é ensombrado pelos elevados preços a que o consumidor tem que fazer face. A grande diferença entre o preço na produção e o preço de venda ao público preocupa os parlamentares e colocou o foco da atenção na larga lista de intermediários que intervêm no processo, inflacionando os preços no intuito de maximizar os seus benefícios.
Há cinquenta anos, os agricultores recebiam aproximadamente metade do preço de venda dos produtos. Actualmente, essa percentagem foi descendo consecutivamente, chegando a níveis tão baixos como os sete por cento no Reino Unido ou de 18 por cento em França. Os Estados-membro em que essa diferença é maior, são, geral,mente, aqueles em que se verifica uma maior concentração do mercado, indicador que se ficava pelos 22 por cento em 1993 e que actualmente atinge os setenta por cento.
De acordo com o Parlamento Europeu, os super e hipermercados abusam do seu poder de compra para forçar a descida dos preços pagos aos fornecedores, levando-os a níveis de rentabilidade insustentável e impondo-lhes condições abusivas. Assim, os principais distribuidores europeus acabam por tornar-se ‘controladores’ do acesso dos agricultores e outros fornecedores aos consumidores.
A Comissão de Agricultura adoptou um relatório, cujo redator foi a eurodeputada grega Katerina Batzeli, que dá resposta a uma comunicação da Comissão sobre os preços dos produtos alimentares na Europa. Os eurodeputados opõem-se a técnicas de marketing como a venda dos produtos abaixo do seu preço de custo e reclamam medidas contra políticas de preços agressivas deste tipo. Denunciam a especulação ligada à alimentação e pede à Comissão que abara uma investigação para avaliação da situação.
Para minorar os efeitos desta situação, pedem mais transparência no processo e uma melhor regulação do mercado, assim como um sistema eficaz de acompanhamento do sistema de custos e de preços. Também reclamam maior acesso aos consumidores por parte dos produtores agrícolas, limitando o poder dos intermediários e dos distribuidores e oferecendo ao mesmo tempo uma maior oferta aos consumidores.
Fonte: Anil
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