O prestigiado diário norte-americano New York Times elogia hoje os vinhos portugueses, considerando-os “distintos” e “a próxima grande onda” no mercado internacional de vinhos.
Para o New York Times, os vinhos de Portugal são “honestos”, não tentando “imitar gostos e estilos que são populares noutros locais”, e a sua qualidade é hoje enorme, depois de durante anos ter fabricado vinhos “indiferentes”.
Num extenso artigo na sua influente secção semanal de “Vinhos e Restaurantes”, o crítico do New York Times Eric Asimov diz que “durante a maior parte do século 20, os portugueses fabricaram e beberam vinhos indiferentes”.
“Muito poucos foram para o resto do mundo e temos que estar agradecidos por isso, porque esses vinhos não eram muito bons,” escreve Asimov, acrescentando que, depois de Portugal se ter juntado à Comunidade Europeia, em 1986, “a indústria do vinho refez-se, substituindo equipamento velho, modernizando métodos de fabricação de vinho e melhorando técnicas de viticultura”.
Para o crítico do New York Times, Portugal é hoje “uma fonte de vinhos distintos, que podem ser de muito bom valor”, acrescentando que muitos desses vinhos “vêm do Douro”.
Para avaliar os vinhos portugueses, o crítico do New York Times convidou outros dois apreciadores, que provaram 25 vinhos tintos da região do Douro.
“A nossa reacção imediata foi a de que os vinhos variam grandemente de estilo,” escreveu Asimov, acrescentando que, “acima de tudo, estes vinhos foram para mim honestos”.
Para o crítico do jornal, os vinhos portugueses “não tentam imitar gostos e estilos que são populares noutras partes”, acrescentando “serem decididamente de estilo Velho Mundo, com taninos, sabores minerais e boa acidez, excelentes com comida, mas não sendo vinhos para pessoas em conversa numa sala de banquetes”.
O que torna os vinhos portugueses “tão distintos” são as uvas “indígenas” a que os portugueses “teimosamente se agarram”, como a tinta roriz, touriga nacional, tinta barroca, tinto cão e touriga franca.
Dos dez vinhos portugueses que o New York Times recomenda, quatro deles custam nos Estados Unidos entre 55 e 60 dólares.
Asimov reconhece que isso “pode parecer caro”, mas faz notar que há muitos vinhos “medíocres” que se bebem por esse mesmo preço “sem ninguém se queixar”.
O melhor vinho português de entre aqueles provados, diz o New York Times, é o 2001 Quinta do Vale do Meão, que custa nos Estados Unidos 55 dólares.
O melhor preço é o do Sogrape Reserva 2000, que é vendido nos Estados Unidos por 12 dólares.
O crítico do New York Times diz que fabricantes de vinhos de França, Itália e Alemanha sabem que os vinhos de Portugal são “a próxima grande onda”.
Com progresso nas técnicas de fabricação e “mais investigação no cultivo das distintas uvas portuguesas, é provável que Portugal atinja o seu máximo nos próximos anos”.
“Em breve estaremos a lembrar-nos destas garrafas a 60 dólares como os restos de uma era de inocência,” acrescenta Asimov.
O artigo do New York Times segue-se à escolha pela revista “Wine & Spirits” de quatro vinhos portugueses entre os “cem melhores vinhos de 2005”.
A revista, que se especializa na indústria vinícola e avaliação de vinhos de todo o mundo, escolheu também dois vinhos portugueses para a sua lista de “Melhores Valores” de vinhos abaixo dos 15 dólares por garrafa e quatro produtores portugueses para a sua lista de melhores companhias vinícolas do ano.
Os vinhos portugueses escolhidos pela “Wine & Spirits” foram Reguengo de Melgaço 2004 Vinho Verde Alvarinho, que recebeu 92 pontos de um máximo de 100 e custa cerca de 15 dólares nos Estados Unidos, Quinta do Crasto 2001 Douro Reserva (93 pontos, 35 dólares), Quinta de Ventozelo 2000 Douro (93 pontos, 14 dólares) e Taylor Fladgate 2000 Porto Quinta de Vargellas Vinha Velha (95 pontos, 300 dólares).
Fonte: Agroportal
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