Cientistas norte-americanos afirmam ter testado com êxito, em seres humanos, uma vacina que poderá proteger contra a variante da gripe das aves – o vírus H5N1 -, que alastra actualmente na Ásia e na Rússia e que e considerado como a grande ameaça à saúde pública neste início de século. “Há boas notícias. Temos uma vacina”, declarou ontem ao jornal norte-americano “New York Times” o director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Contagiosas, Anthony S. Fauci.
Até hoje, apenas foi detectado um número reduzido de casos de infecção pelo H5N1. A Organização Mundial de Saúde (OMS) assinala que, apesar de poucos desses casos terem envolvido transmissão da infecção entre seres humanos na Ásia, o vírus H5N1 não desenvolveu mutação com capacidade suficiente para alastrar em grande dimensão entre os seres humanos.
Segundo estatísticas actualizadas pela OMS na sexta-feira passada, a gripe das aves já matou 57 das 112 pessoas que foram infectadas pelo H5N1 em quatro países, a saber Camboja (quatro casos), Indonésia (um caso), Tailândia (17 casos) e Vietname (90 casos).
O “New York Times” destaca que, embora Anthony S. Fauci tivesse afirmado que a vacina agora ensaiada em testes preliminares pode vir a ser utilizada como medida excepcional no caso de se desenvolver uma epidemia à escala mundial (pandemia), serão necessários ainda alguns meses para testar o produto e, no caso de vir a ser aprovado, ser colocado no mercado.
“Por outro lado, não dispomos de toda a vacina de que necessitamos para satisfazer a procura. Agora, o problema é saber se conseguiremos produzir vacina suficiente, tendo em conta a bem conhecida incapacidade de a indústria produzir a quantidade necessária”, disse Anthony S. Fauci ao “New York Times”.
As autoridades sanitárias têm estado empenhadas numa corrida contra o tempo no sentido de desenvolverem uma vacina contra o H5N1 – transmissível ao homem e considerado a mais perigosa variante do vírus da gripe das aves -, por haver o receio de que ele possa sofrer mutação e combinar-se com um vírus da gripe humana, dando origem a um novo vírus que poderia alastrar rapidamente a todo o Mundo.
Têm morrido dezenas de milhões de aves com a doença. Ainda não há provas consistentes de que a transmissão do vírus se faça entre pessoas mas, se isso acontecer, as autoridades sanitárias receiam que o Mundo corra o risco de uma pandemia. Foi este receio que motivou a procura da vacina.
Quando o vírus H5N1 foi detectado pela primeira vez em Hong-Kong, em 1997, realizaram-se os testes preliminaries de uma vacina que nunca chegou a ser desenvolvida. Entretanto, o vírus sofreu mutação.
Em entrevistas recentes, Anthony S. Fauci revelou que os últimos testes realizados demonstraram ter a nova vacina dado forte resposta imunológica no pequeno grupo de adultos saudáveis (de idades inferiores a 65 anos) que se ofereceram voluntariamente para servir de cobaias. Os testes prosseguirão nos próximos meses, com dois grupos um de crianças e outro de indivíduos maiores de 65 anos.
Fonte: JN
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