EUA analisam situação da biotecnologia agrícola na UE

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos publicou uma actualização sobre a situação da biotecnologia agrícola na União Europeia.

A informação revela que apesar das restrições políticas existentes, as culturas de variedades de organismos geneticamente modificados (OGM), cujo único expoente na União Europeia (UE) é o milho de tipo Bt, continua a crescer lentamente em alguns Estados-membros, nomeadamente em Portugal, Espanha, República Checa, Eslováquia e na Alemanha, esperando-se alcançar 110 mil hectares em 2009.

As politicas nacionais sobre OGM variam de uma países membro para outros, sendo que alguns têm normas de coexistência e outros não, no entanto, existem Estados que praticam políticas de total intolerância aos transgénicos, na sua maioria adoptadas contra a legislação comunitária em vigor, como a Áustria, França, Grécia, Hungria e a Itália.

Mas a UE continua a ser um dos maiores consumidores de OGM , utilizando plantas importadas na alimentação, sobretudo farinha de soja para a comida de animais, estimando-se que cerca de 80 a 95 por cento da farinha proceda de soja transgénica.

Em segundo lugar está o milho e seus derivados, dos quais 10 a 25 por cento são OGM, referindo ainda o documento que ao bloco europeu é grande importador de fibra de algodão, em grande parte geneticamente modificada.

A UE destaca como prioritária a investigação em biotecnologia agrícola, mas na realidade esta está em regressão devido a pressões políticas, verificando-se uma diminuição de campos de ensaios e acções de intimidação por parte de grupos activistas.

Uma situação que levou alguns investigadores e empresas a transportarem a sua actividade para outros países, em particular para os Estados Unidos, de forma a continuarem a desenvolver os seus trabalhos.

O mecanismo de aprovação de novos OGM na UE mantém-se inviável na prática, porque muitos países avaliam o procedimento de aprovação caso a caso e baseado em critérios científicos, mantendo sempre uma postura política.

A influência europeia a outros países na adopção da biotecnologia agrícola pela sua capacidade importadora é decrescente, com os principais grupos norte-americanos do sector a investirem no desenvolvimento da biotecnologia, seja esta ou não aceite pela UE, centrando-se sobretudo noutros mercados potenciais importadores e tolerantes, como o caso dos asiáticos.

A iminente comercialização de OGM de segunda geração nos Estados Unidos cria um problema para a indústria alimentar europeia, em particular na dedicada à alimentação animal, pelo que é urgente tomar medidas que impliquem uma maior tolerância, caso contrário, a produção europeia de animais poderá perder competitividade drasticamente.

Fonte: Agrodigital e Confagri

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