Técnicos de três ministérios estão a acompanhar um projecto de investidores estrangeiros que querem instalar 5.000 hectares de estufas em Portugal e aconselharam o Algarve e litoral alentejano como as melhores localizações, disse ontem o ministro da Agricultura.
Falando aos jornalistas em Olhão, à margem de uma reunião com agricultores algarvios que decorreu esta tarde, Jaime Silva garantiu que o Governo está “totalmente empenhado” no projecto, que lhe foi apresentado há um mês e meio por um grupo de empresários alemães, holandeses e britânicos.
“O primeiro-ministro está totalmente empenhado no projecto e formámos uma comissão composta por um técnico do Ministério da Agricultura, outro do Ambiente e outro da Economia a acompanhar o projecto”, disse.
De acordo com o membro do Governo, os potenciais investidores detêm cadeias de supermercados naqueles três países e pretendem investir nas áreas da hortofruticultura e floricultura, para escoar a produção para aquelas grandes redes distribuidoras europeias.
“O factor de dinâmica deste investimento é a procura, através da garantia de escoamento imediato em grandes cadeias de supermercados”, precisou Jaime Silva, que considerou “fundamental” esse “investimento sustentado pela procura”.
Como condições, os investidores pediram que o processo fosse célere – que demorasse menos de um ano a decidir -, que fosse possível erguê-lo em zonas próximas do mar, de baixa amplitude térmica, e que as zonas escolhidas se situassem próximo do aeroporto, adiantou o governante.
“Os técnicos indicados pelo Governo já indicaram o Algarve e o litoral alentejano como as zonas ideais para o investimento”, disse, observando que se trata de um projecto grandioso à escala do País.
Para ilustrar essa grandeza, observou que actualmente o Algarve, região onde se situa a maioria das estufas do Continente, tem pouco mais de 300 hectares e “nunca teve cinco mil hectares, antes de terem sido abatidas grande parte das estufas”.
Por outro lado, apelou à disponibilidade dos proprietários das terras para garantir o investimento, adiantando que esse interesse dos proprietários é o que mais preocupa os investidores, que “nem pretendem candidatar-se aos apoios previstos para novas explorações”.
Em Dezembro, em declarações ao semanário Expresso, o empresário Wolfgang Kemper, um dos promotores, garantiu que o investimento poderá atingir os 2,5 milhões de euros e criar 30 mil empregos.
Segundo aquele jornal, o projecto prevê que todos os anos possam vir a ser produzidas 500 mil toneladas de hortofrutícolas, correspondendo a um valor de mercado de 250 milhões de euros.
Jaime Silva, que esta manhã esteve no Parque Natural da Ria Formosa, termina a sua jornada no Algarve com a inauguração da Expomar, em Olhão, feira de actividades náuticas que ali decorre até domingo.
Fonte: Lusa
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