Estudo revela que dieta pobre em gordura não impede cancro

Uma dieta baixa em gorduras não parece diminuir os riscos de cancro da mama e cólon, ou de doenças cardiovasculares nas mulheres de entre 50 e 79 anos, indica um vasto estudo realizado nos Estados Unidos.

O estudo, ontem publicado na revista «Journal of the American Medical Association», baseou-se no historial médico de 48.835 mulheres e foi patrocinado pelo governo norte-americano.
Segundo as conclusões, as participantes que cumpriram uma dieta com elevado consumo de verduras e muito pouca gordura tiveram a mesma incidência de doenças cardiovasculares e de cancro da mama e do cólon do que as que seguiram um regime alimentar menos disciplinado.

«Entre as mulheres que passaram a menopausa, uma dieta baixa em gorduras não produziu resultados estatisticamente importantes no que se refere a uma redução significativa do risco de cancro da mama invasivo num período de 8,1 anos», assinala o estudo.

Todavia, «estes resultados não sugerem que as pessoas possam ter carta branca para comer alimentos gordos sem ter problemas de saúde», advertiu JoAnn Manson, especialista em medicina preventiva no Brigham and Women´s Hospital de Harvard, co-autora do estudo e respeitada nutricionista.

Por outro lado, o estudo não distingue entre as boas gorduras (provenientes do peixe e dos óleos vegetais) e as gorduras saturadas das carnes vermelhas e dos alimentos de fabrico industrial – referiu Mara Vitolins, perita em saúde pública no centro médico da Universidade de Wake Forest, um dos 16 centros universitários que participaram no estudo.

«O estudo visava apenas testar a hipótese de que uma redução total das gorduras diminuiria o risco de cancro», explicou.

«Posteriormente, ficámos a saber mais sobre a diferença que faz o tipo de gorduras consumidas», insistiu.

O estudo, de seis anos, comparou um grupo de mulheres em que 35 a 37% das calorias consumidas provinham de gorduras com um grupo em que o consumo de gorduras se limitava a 24 a 27% das calorias alimentares.

Este último grupo também aumentou o consumo de legumes, frutas e fibras.

Para Elizabeth Nabel, directora do Instituto Nacional do Coração, Pulmões e Sangue, integrado no Instituto Nacional de Saúde dos EUA, «os resultados do estudo não alteram as recomendações estabelecidas para a prevenção» das doenças cardiovasculares e do cancro.

«As mulheres devem continuar a fazer mamografias regularmente e análises para detectar cancro colo-rectal, e a seguir regimes alimentares pobres em gorduras saturadas e colesterol», acrescentou.

As autoridades médicas federais norte-americanas recomendam que se mantenha a redução para menos de 10% das calorias provenientes das gorduras saturadas e que a maior parte das gorduras consumidas venham de peixes e óleos vegetais.

Sublinhando que o estudo abrangeu apenas mulheres com mais de 50 anos, os autores do estudo avisam que «o regime alimentar começa no nascimento», pelo que a alimentação consumida ao longo de toda a vida se reflecte na saúde.

Fonte: Diário Digital

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