A espécie de mergulhão infectada em Espanha com o vírus H5N1 da gripe das aves também existe em Portugal, mas não é migratória, indicou a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).
“O mergulhão-de-crista [Podiceps cristatus] é uma espécie residente, não é propriamente uma ave migratória”, explicou Luís Costa da SPEA. “Como esta não é uma espécie migratória o que interessa agora saber é como foi transmitido o vírus: se foi por aves selvagens em migração ou por aves doméstica”, afirmou.
Luís Costa adiantou ainda que “quando chegarem as migrações para Sul aumenta também a possibilidade de surgirem surtos em Portugal”, embora tenha sublinhado que não existem para já grandes preocupações “desde que as autoridades estejam preparadas e tenham planos de contingência”. O que é importante “é continuar os esforços de vigilância e monitorização”, salientou o responsável.
O mergulhão-de-crista não é uma espécie muito abundante em Portugal, concentrando-se, sobretudo, nas zonas húmidas, a Sul do país, e em barragens do interior. Além desta ave, existem outras duas espécies de mergulhão em Portugal: o mergulhão-pequeno (Tachybaptus ruficollis), mais comum e também residente, e o mergulhão-de-pescoço-preto (Podiceps nigricollis), uma espécie bastante mais rara e que migra para Portugal no Inverno.
O Ministério da Agricultura espanhol confirmou hoje ter sido detectado o primeiro caso no país da variante H5N1 da gripe das aves num mergulhão encontrado morto no País Basco. De acordo com a mesma fonte, os testes feitos no Laboratório de Referência para a gripe das aves, em Madrid, indicam que se trata de um vírus de “altamente patogénico” (capacidade de produzir doença).
O vírus H5N1 foi encontrado numa amostra de um mergulhão Podiceps cristatus, encontrado morto no pantanal de Salburua, província de Álava, cerca de 50 quilómetros Leste de Vitoria, no País Basco, Norte de Espanha.
A presença da doença em Espanha foi já notificada à Comissão Europeia e à Organização Mundial de Saúde Animal.
Em Portugal, o Ministério da Agricultura já veio afirmar que o caso espanhol não é razão para alarme em Portugal. Fonte do gabinete do ministro Jaime Silva afirmou que os procedimentos de controlo e vigilância são os mesmos, permanecendo os níveis de alerta para a doença até agora activos no país.
Portugal está actualmente na fase três do plano de vigilância da gripe, de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde. Nesta fase ainda não há evidência de transmissão entre pessoas.
Análises negativas à presença do vírus em Portugal
Mais de seis mil análises a aves realizadas desde o início do ano em Portugal deram resultado negativo à presença do vírus H5N1, ainda segundo o Ministério da Agricultura. Os testes – 6093 amostras para exame virológico (zaragatoas, fezes e órgãos) e 953 soros para exames serológicos – foram realizados na sequência dos ” procedimentos normais” do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, que passam por “uma necrópsia dos animais recolhidos para análise”.
O Ministério da Agricultura garantiu ainda, a propósito da detecção, hoje, de um caso positivo de H5N1 em Espanha, que o Plano de Vigilância Activa e Passiva “manter-se-á a decorrer de igual modo como aconteceu até à data”.
De acordo com este organismo, a ave hoje encontrada em Espanha “foi encontrada pelas autoridades espanholas, e de forma isolada, no âmbito do Plano de Vigilância da Gripe Aviária Espanhol”. Citando “informações oficiais espanholas”, o Ministério da Agricultura português garante que “este facto não constitui nenhum perigo para as aves de produção ou de capoeira, visto não existir nenhuma exploração avícola “no perímetro de segurança (dez quilómetros) estabelecido pelas autoridades veterinárias”.
Fonte: Público
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