O governo espanhol aprovou ontem em conselho de ministros um transvase de 39 hectómetros cúbicos, ou seja, 39 milhões de metros cúbicos, de água de barragens do rio Tejo que se encontram já apenas a 13 por cento da capacidade, para o sistema de Segura, no sudeste do país, que está a 11 por cento.
O objectivo é socorrer os problemas da seca na região de Múrcia. Devido, porém, à grave crise que também afecta Portugal, o transvase foi limitado às necessidade de consumo dos habitantes, rejeitando-se um pedido de fornecimento de água para rega agrícola. Uma nova análise da situação deve, segundo a vice-presidente do governo Maria Teresa Fernández de la Vega, ser feita dentro de um mês.
O novo transvase a repartir pelos próximos três meses segue um outro, muito maior, de 82 hectómetros cúbicos aprovado em Junho. E mais uma vez, a medida suscitou polémica entre Castela-Mancha e Múrcia, com a primeira a acusar a segunda de pressionar com dados errados. Mas não inquietou o Governo português.
CAUDAIS DENTRO DO ACORDO
Interpelada pelo CM, fonte do Ministério do Ambiente refere que os dois transvases estão de acordo com as regras fixadas entre os dois países na Convenção de Albufeira. O decisivo para Portugal é o respeito dos caudais dos rios. Segundo os números mais recentes do Instituto da Água (INAG), a situação nas albufeiras do Tejo, para já não falar no Guadiana, está melhor do que em rios nacionais como o Sado ou o Arade, no Algarve.
Nas palavras da ministra Vega, Madrid foi responsável – “perante o pior ano hidrológico da história recente” – ao negar transvases para rega agrícola. Os 39 hectómetros cúbicos autorizados são pouco mais do que os 35,8 pedidos por 77 municípios de Murcia e Alicante para consumo. E , mesmo “defendendo o bem-estar dos cidadãos, onde quer que vivam” as medidas de economia estão a ser tomadas. Na quarta-feira, a capital Madrid e Málaga, à beira do Mediterrâneo, proibiram regar jardins e encher piscinas.
SECA ESTÁ PARA CONTINUAR
As altas temperaturas para a época registadas ontem por todo o País e o céu limpo são sinais de que a seca vai durar no novo Ano Hidrológico que começa hoje, dia 1 de Outubro. No mesmo sentido aponta o Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo, que anuncia para o trimestre Setembro/Novembro tendência para a temperatura média ser superior ao normal, enquanto a precipitação total tende a ser inferior ao normal. Deve assim agravar-se a situação descrita no Relatório Quinzenal da Seca, com 7% do território português a sofrer seca moderada, 34% severa e 59% extrema. Os números preliminares sobre a precipitação em Setembro registam 13,8 mm de água quando a média nacional de 1940 a 1998 foi de 41,8 mm. As situações mais graves são no Sul 3,1 mm (27,9 mm de média) e no Algarve, 4,3 mm (27,9 mm). O Centro teve 19,1 mm (46,7 mm).
EM FOCO
RELATÓRIO NO DIA 4
O novo Relatório Quinzenal da Seca, relativo ao fim de Setembro, deve ficar pronto na próxima quarta-feira, dia de reunião das partes participantes no Instituto da Água.
ANO HIDROLÓGICO
O Ano Hidrológico, em termos estatísticos, abre hoje, 1 de Outubro. Para se avaliar a seca basta referir que a precipitação acumulada desde 1 de Outubro de 2004 foi de 151mm em Faro, só 30% da média.
TEJO
A água acumulada nas barragens do Tejo de onde vai ser feito o transvase foi avaliada em 332 hectómetros cúbicos na última terça-feira, dia 27. Há um ano, no mesmo dia, havia 793 hectómetros cúbicos.
Fonte: Correio da Manhã
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