Espanha: Governo estuda canalizar água de uso agrícola para consumo humano

O governo espanhol está a estudar a canalização de água reservada a uso agrícola para o consumo humano, na previsão de que se mantenha a seca durante o Outono e seja necessário garantir o abastecimento às populações, foi hoje anunciado.

Se isso for necessário, como explicou em conferência de imprensa o director-geral da água do Ministério do Meio Ambiente, Jaime Palop, a água poderá ser desviada de quatro áreas hidrográficas: Segura, Júcar, Tejo e Guadalquivir.

“Quando começa a faltar água, a prioridade será sempre o abastecimento (das populações) e será sempre a agricultura que terá de dar essa água”, disse Palop, assinalando que serão encetadas negociações com particulares para “recuperar concessões” em zonas problemáticas.

“Naturalmente, não podemos deixar indefesa a agricultura”, frisou, no final da primeira reunião do Comité de Especialistas da Seca criado pelo governo para avaliar a actual situação e definir uma política adequada de gestão dos recursos hídricos.

Como exemplo do que pode acontecer citou o caso de Sevilha, que negoceia directamente com proprietários agrícolas a cedência de água a troco de compensações económicas.

Estimativas das autoridades espanholas sugerem que o problema da seca este ano em Espanha não deverá atenuar-se durante o Outono, quando se esperam chuvas “normais” e, como tal, incapazes de repor as águas perdidas das reservas nacionais.

Os dados mais recentes indicam que as reservas hídricas do país estão actualmente em apenas cerca de 40 por cento da sua capacidade.

O Instituto Nacional de Meteorologia confirmou que o ano hidrológico que terminou a 31 de Agosto (e começou a 01 de Setembro do ano passado), foi o mais seco em Espanha desde que começaram a ser feitos registos da pluviosidade.

A precipitação média nacional ficou-se pelos 411 milímetros, ou seja menos 40 por cento do que o valor médio normal, com a seca a afectar praticamente todo o território espanhol.

O secretário-geral do Território, António Serrano, foi ainda mais longe ao assegurar que este foi o ano mais seco desde 1887, de acordo com os dados disponíveis de observatórios climatéricos da época.

Fonte: Agroportal

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