Espanha: Governo Adopta Medidas Urgentes no Ano Mais Seco em Seis Décadas

Espanha enfrenta o ano mais seco das últimas seis décadas, reconheceu ontem a ministra do Ambiente espanhola, uma situação que levou o Governo a adoptar várias medidas urgentes, alguns das quais entraram ontem em vigor.

A situação é “dramática” para os agricultores do arco mediterrânico, segundo a ministra Cristina Carbona, situação que levou o Governo a aprovar uma séria de medidas para atenuar as enormes perdas económicas, mas é visível também no nível de água das barragens, em média com pouco mais de 50 por cento da sua capacidade e nalgumas regiões com escassos 15 por cento.

Para ajudar os agricultores e produtores de gado, hoje entra em vigor o decreto que reduz as cotizações para a Segurança Social, facilita o acesso a créditos num total de 750 milhões de euros para zonas onde se perdeu, devido à seca, 30 por cento da produção normal.

Mas os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente prevêem também obras urgentes para acudir aos regadios de algumas zonas da Andaluzia, Aragão, Ilhas Baleares, Canárias, Castela e Leão, Castela a Mancha, Catalunha, Extremadura, Múrcia, La Rioja e Comunidade Valenciana.

As sete comunidades autónomas do sul e interior do país já decretaram aliás restrições ao uso de água para regadios e Castela a Mancha, perante a possibilidade de um transvase das barragens da cabeça do rio Tejo para o Segura, já disse que vai opor-se “a menos que o único destino seja o consumo humano”.

Na zona hidrográfica do Segura, que abrange zonas de Múrcia e Comunidade Valenciada sobretudo, o nível de água das barragens está nos 15 por cento da sua capacidade, face à média de 27 por cento dos últimos dez anos.

Esta é a pior situação, mas à excepção das zonas hidrográficas do País Basco e Norte II [Astúrias], todas as restantes estão com níveis muito baixos, em média nos 57 por cento da sua capacidade.

Nas zonas mais perto de Portugal, a zona hidrográfica Guadiana II está com 59,3 por cento da capacidade, face aos 76,6 por cento de média dos últimos dez anos, o Tejo nos 44,7 por cento, contra 65,7 por cento, o Douro com 60,8 por cento, da sua capacidade, quando a média é de 75,7 por cento, e o Norte I [Galiza interior], com 71,6, contra 78,6 por cento.

Nos órgãos de comunicação social, uma campanha intensa pede aos cidadãos que poupem água e ensina a fazê-lo, até porque, recorrendo aos dados da climatologia e meteorologia, não só este é o ano mais seco dos últimos 60 como pode ser “o início de um ciclo de seca severa”.

A juntar à descida histórica dos níveis de chuva deste ano, o Instituto Nacional de Meteorologia já alertou que o Verão, que começou ontem, será seco e quente, prevendo-se que desde agora e até final de Agosto se registem temperaturas médias um a dois graus acima do normal em várias regiões de Espanha.

Ontem, houve alerta de temperaturas extremas para esta época do ano nas regiões de Madrid, Toledo e Cidade Real, com os termómetros a registarem máximas em torno dos 40 graus e mínimas que não descem dos 24 graus.

À semelhança de Espanha, vagas anormais de calor e problemas de seca estão a atingir vários países europeus, em particular Portugal, onde o Instituto da Água constatou em meados do mês que 50 por cento do território de Portugal continental se encontra em estado de seca extrema e 30 por cento sofre uma seca “severa”.

Também em França, foi desencadeado na segunda-feira um dispositivo de pré-alerta do plano canícula em três zonas do país, e em Itália já foi dado o sinal de alerta. No Reino Unido, as reservas de água estão a 60 por cento do normal.

Há dois anos, uma vaga de calor sem precedentes causou cerca de 30.000 mortos na Europa.

Fonte: Lusa

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