A crise alimentar pode representar uma «grande oportunidade» para começar a resolver alguns «problemas fundamentais» de África se a comunidade internacional se mobilizar, considerou hoje o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.
«Devíamos considerar esta situação, não apenas como um problema, mas também como uma grande oportunidade de começar a resolver problemas fundamentais de numerosas pessoas, as mais desfavorecidas do mundo, das quais 80 por cento são agricultores pobres», escreve Ban num texto publicado hoje pelo diário francês Le Monde.
«Se os ajudarmos – se lhes disponibilizarmos ao mesmo tempo ajuda e um conjunto equilibrado de políticas locais e internacionais – a solução está ao nosso alcance», adianta.
Durante uma reunião na semana passada em Berna, Ban anunciou a criação imediata de uma célula de crise para combater a subida dos preços alimentares.
No artigo, Ban lembra que o Programa Alimentar Mundial (PAM), que ajuda 73 milhões de pessoas, precisa de 755 milhões de dólares suplementares e que as promessas ascendem a 475 milhões, insistindo que «as promessas não enchem as barrigas e a agência apenas dispõe actualmente de 18 milhões de dólares».
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) pede, por seu turno, 1,7 mil milhões de dólares para reforçar a produção agrícola dos países mais afectados pela crise.
O responsável da ONU concluiu que se o seu próprio «país (a Coreia do Sul) conseguiu ultrapassar os seus traumatismos para se tornar uma potência económica, a África também é capaz. A única condição é que a ajudemos. Podemos começar a fazê-lo tomando as medidas indispensáveis para controlar a crise alimentar».
Os preços dos bens alimentares praticamente duplicaram a nível mundial nos últimos três anos, segundo o Banco Mundial, provocando tumultos em Abril no Egipto e no Haiti e manifestações em vários outros países.
Entre as explicações encontram-se o desenvolvimento dos biocombustíveis, as barreiras comerciais, uma procura crescente com origem na Ásia devido a modificações dos hábitos alimentares, colheitas fracas e o aumento do custo do petróleo.
Fonte: Confragi
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