Empresas sobem preços com matérias-primas em alta

Papas e cereais, leite, bolachas, queijo, cafés e cervejas são alguns dos produtos mais afectados pela subida galopante dos preços das matérias-primas alimentares. Todas as empresas que precisam de trigo e milho, leite, cacau, açúcar ou café para a confecção dos seus produtos estão a aumentar os preços devido à subidas dos custos de produção. Unilever, Nestlé, Unicer e Central de Cervejas já subiram os preços.

Os preços dos produtos da Unilever-Jerónimo Martins aumentaram, em média, 2% ainda no final de 2010, adiantou ao Diário Económico Jorge Lopes, director de comunicação da empresa.

Os produtos da Nestlé – de papas para crianças ao Nesquick e aos temperos da Maggi – ficaram 4% a 6% mais caros, entre Janeiro e Fevereiro. As cervejeiras Central de Cervejas e Unicer aumentaram os preços das bebidas 5% e 6%, respectivamente, ao passo que as quatro marcas de café da Nestlé – Sical, Tofa, Christina e Buondi – subiram 7,5% os preços. As empresas de lacticínios ainda não conseguiram cobrar mais, mas “será uma questão de tempo”.

Estes aumentos não reflectem, ainda assim, a totalidade da subida dos custos de produção. A Sociedade Central de Cervejas prevê, para este ano, um aumento de 12 milhões de euros nos custos. Já a Unilever Portugal estima “um impacto bruto superior a 10% dos custos totais de produção e distribuição”. Nas duas fábricas de queijos da Saloio, os custos subiram entre 5% a 7%.

Não são apenas os preços das matérias primas alimentares que estão a disparar nos mercados internacionais. A energia, o plástico para embalar os produtos e os combustíveis, necessário para os camiões de distribuição dos produtos, também têm subido continuamente.

“além das matérias-primas, todos os outros custos aumentaram: petróleo, energia e materiais de embalagem”, avançou o director-geral da Federação das Industrias Agro-Alimentares, Pedro Queiroz, ao Diário Económico.

Estas subidas já se reflectem na fábrica de iogurtes da Danone. Os custos da unidade de Castelo Branco aumentaram entre 10% e 20% com o leite, o açúcar e a energia mais caros. Porém, a empresa francesa ainda não aumentou os preços em Portugal e está “ a esforçar-se para não o fazer”, garantiu a directora da qualidade da Danone, Cláudia Martins.

“Estamos a tentar suportar os custos, até porque acabamos por conseguir negociar contratos de longo prazo com fornecedores”, explicou. A decisão de manter os preços dos iogurtes dependerá da performance dos mercados ao longo dos meses.

Distribuição tem de aumentar preços
Sorte diferente trem, a empresa portuguesa Saloio, que detém a marca de queijo Palhais. Clara Moura Guedes, presidente-executiva da saloio, admite que precisava de “realizar um aumento efectivo de 6% a 8% nos preços de venda aos sector da distribuição para recuperar parcialmente a quebra da rentabilidade”. Mas não o faz porque as cadeias de distribuição não aceitam renegociar o preço com os fornecedores. “Desde 2008 que não temos tido capacidade negocial de aumentar os preços dos nossos produtos.”

Nas contas da Saloio, as matérias-primas custam mais de 12% a 15%, além do combustível que aumentou 20%. Clara Moura Guedes considera, por isso, que há uma necessidade absoluta permanente de aumentar os preços dos produtos aos distribuidores, sob pena de comprometermos a sustentabilidade”. Para António Reffóios, director-geral da Nestlé Portugal, será “uma questão de tempo até se reflectir (o aumento) nos preços dos bens ao consumidor final”.

Do lado dos supermercados, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) avançou recentemente ao Diário Económico que “segue atentamente a evolução dos preços das matérias-primas” e que este “é uma assunto que vede preocupar a todos”. Frisou, contudo, que o sector da distribuição prosseguirá sempre a política de qualidade e preços baixos”.

Mais peremptório foi o administrador-delegado da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos santos, que admitiu na apresentação de resultados anuais que quando os preços actuais das matéria-primas chegarem aos mercado, em Maio ou Junho, “vai ter de rever muito alguns preços, essencialmente dos “commodities”. “Alguns iremos absorver e não reflectir na totalidade, mas alguns certamente teremos que o fazer”, assumiu Soares dos Santos.

Fonte: Anil

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