As empresas da indústria alimentar que assinaram um compromisso de auto-regulação na publicidade para promover hábitos saudáveis e combater a obesidade infantil reúnem-se para discutir quem irá fiscalizar a medida. “O que vamos discutir é a quem é que vamos adjudicar a monitorização”, disse o director-Geral da FIPA, que dinamizou a iniciativa.
Segundo Pedro Queiroz, o objectivo é “dar continuidade, na prática, ao trabalho” iniciado com a assinatura de um protocolo por 26 empresas, em Novembro. O encontro servirá para discutir “modelos de monitorização da componente publicidade” e definir “passos futuros”, revelou.
“Isto é um compromisso de auto-regulação da indústria alimentar e o que nós estamos a encontrar são mecanismos nossos para fazer a monitorização”, frisou, sublinhando que o objectivo é apresentar “resultados credíveis”.
Os responsáveis das empresas nomeados para este grupo de trabalho pretendem também “estabelecer uma abordagem a algumas empresas que possam vir a aderir” ao compromisso, além das 26 já envolvidas.
A iniciativa é vista com “bom grado” pela Associação Portuguesa de Nutricionistas. “A auto-regulação é a maneira de excelência de funcionamento. Podemos ter legislação impositiva, que diga que não é possível fazer isto ou aquilo, mas o sucesso de qualquer iniciativa é sempre muito maior se vier de dentro”, afirmou à Lusa a presidente da associação, Alexandra Bento.
O objectivo, disse, é “credibilizar a publicidade para crianças e ter alguns limites, nomeadamente em relação à quantidade de açúcar e aos horários em que é passada”.
A especialista elogiou a medida da FIPA e defendeu que o açúcar em si, a sacarose ou o que se chama vulgarmente o açúcar do açucareiro que se adiciona em casa e é utilizado na indústria alimentar “em bom rigor não faz falta”.
O que é preciso, explicou, “é chegar ao final da digestão e ter a glicose”, o que tanto se consegue com o pão, o arroz, a massa, a batata e uma peça de fruta como com o açúcar do açucareiro, sendo que o último “não aporta mais nenhum benefício nutricional”.
Acrescenta sim as calorias que advêm dos hidratos de carbono: “Em bom rigor, podemos dizer que não necessitamos dele para a nossa saúde e, pelo contrário, o consumo excessivo, já que são calorias vazias, não aporta nenhum benefício nutricional”.
Se houver um consumo excessivo pode resultar num balanço energético positivo, ou seja, a pessoa tem mais energia do que aquela de que necessita. Apesar de não ser necessário, “também não é um veneno que mata e que não pode estar presente na nossa alimentação”, admitiu.
Os referenciais apontam para 20 gramas por dia, pouco mais do que dois pacotes de açúcar que se usam no café, mas “como muitos produtos da indústria alimentar têm açúcar na sua composição, não é difícil exceder essa quantidade se não houver alguma cautela”.
Cautela essa que deve ser redobrada nas crianças, advertiu, para não chegarem ao final do dia com uma elevada quantidade de açúcar. As guloseimas devem ser permitidas, mas só em dias de festa.
Fonte: Anil
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