Quinze anos depois de ter sido detectada a primeira vaca com encefalopatia espongiforme bovina (BSE) em Portugal, a doença ainda não está erradicada, embora tenha vindo a diminuir desde 2000. Ao todo, desde 1990, foram detectados, no nosso país, 952 animais infectados com BSE. O primeiro caso da variante humana em Portugal foi diagnosticado este mês (ver página seguinte).
O maior pico da doença, que ficou conhecida como doença das vacas loucas, verificou-se em 1999, com o registo de 159 casos. Em 2000 também apresentou um número elevado (150), mas esses valores coincidem com o início dos testes rápidos feitos em todos os animais de consumo.
Isto é, em 2000 “iniciou-se uma fase de prevenção mais eficaz, fazendo testes rápidos (obtém-se resultados num dia) em todos os bovinos com mais de 30 meses que iam para abate, mesmo os que não apresentavam qualquer sintomatologia clínica da doença”, explicou Alexandre Galo, que acompanhou a investigação da doença desde 1986, num laboratório de Edimburgo, recordando que até essa data só se faziam exames aos cérebros dos animais que eram abatidos por apresentarem um comportamento anormal e condizente com a BSE.
“Através destes exames verificámos que havia muitos mais animais contaminados, o que veio também alterar as nossas previsões de que a doença estaria extinta em 2004”, afirmou, acrescentado que permitiram “também concluir que se estava a consumir animais contaminados, mas que não tinham qualquer sintomatologia”.
Numa segunda fase, passaram também a realizar-se exames em “animais que morrem nas explorações sem qualquer vestígio da doença, e mais uma vez se confirmou que estes também estavam contaminados”.
Actualmente, o número de casos detectados – tendo em conta a vigilância efectuada nas explorações e nos matadouros, que implica o controlo de todos os animais para abate e consumo com mais de 30 meses e a recolha de todas as carcaças suspeitas com mais de 24 meses – é muito mais baixo. No ano passado foram registados 84 casos, este ano são 15.
Para Alexandre Galo, o importante é “aprender a lidar com estes casos”. “Foram investidos milhões em testes rápidos, que nos permitem alguma garantia perante os consumidores, mas o risco não é zero”, sublinhou.
Alterações alimentares
Após o reconhecimento da doença, no Reino Unido, onde surgiu o primeiro caso, os cientistas tentaram apurar as causas da doença. Chegaram à conclusão que os casos de BSE tinham tido origem no consumo de rações contaminadas pela utilização de farinhas de carne e ossos produzidos a partir de animais já infectados.
Alguns especialistas afirmaram na altura, que o princípio da patologia se verificou pela alteração do sistema alimentar, ao querer modificar um animal herbívoro tornando-o carnívoro.
A doença das vacas loucas chega a Portugal através de animais vivos importados do Reino Unido. Entre 1980 e 1989, foram importados 12 mil bovinos vivos, além das farinhas, que eram exportadas por diferentes países.
Por esta razão foi tão tardio o reconhecimento da BSE em Portugal. “Dizia-se que tínhamos animais doentes, mas que não tínhamos a doença. Não tinham também em conta o tipo de ração utilizada, que permitiu a propagação da doença”, referiu Alexandre Galo.
Fonte: JN
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