A Direcção-geral dos Recursos Florestais (DGRF) pediu ontem um parecer à Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) sobre as probabilidades e os reflexos da chegada de aves infectadas a Portugal. De acordo com o presidente da SPEA, Luís Costa, a DGRF “está preocupada com a questão da caça de aves aquáticas”. O director dos serviços de caça e pesca em águas interiores da DGRF, Alberto Cavaco, explicou ao DN que o pedido foi feito para que, caso seja chamada a opinar sobre a proibição da caça de aves aquáticas, a DGRF possa fazê-lo, estando devidamente documentada. Para já, essa medida não é equacionada.
O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, afastou, no domingo, a hipótese de proibir a caça – medida já adoptada nos países onde a presença do vírus foi confirmada ou onde existem fortes suspeitas de contaminação, como a Roménia, a Turquia e a Bulgária. O governante lembrou que há um programa de monitorização das aves migratórias em curso. Nesse contexto, a Direcção-geral de Veterinária pediu já aos proprietários dos aviários que tomem precauções redobradas e que reforcem as condições de higiene. Proibir a caça não é uma prioridade.
Para Alberto Cavaco, da DGRF, “até agora os caçadores têm sido um precioso auxiliar na detecção de animais mortos”. A DGRF está “atenta e vai compilando a informação que recebe”, colaborando desta forma com a Comissão para o Acompanhamento da Gripe Aviária – uma parceria entre a Direcção-geral de Saúde e a Direcção-geral de Veterinária.
Sublinhando o facto de Portugal não se encontrar na rota das aves migratórias que passam pela Turquia e pela Roménia – países onde o vírus da gripe das aves foi detectado -, Luís Costa afirma que “neste momento, a probabilidade de ver chegar ao País aves infectadas é baixa”. No entanto, “o que sabemos hoje pode mudar amanhã”, diz o responsável. Os reflexos que essa situação teria “são impossíveis de prever”, acrescenta.
Segundo Alberto Cavaco, “a monitorização das espécies vai permitir saber se a doença se está a transmitir das aves selvagens para as domésticas e se aves cinegéticas [que se podem caçar] estão a ser afectadas”. É que, até agora, não se sabe se o problema afecta estas aves, pode nem ser o caso”, conclui o responsável.
Fonte: DN
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