Dinamizar a Fileira Agro-Alimentar na Região Norte

As empresas agro-alimentares da Região Norte têm potencialidade para se imporem, falta-lhes o conhecimento de mercado e científico. Uma lacuna a colmatar com a criação do pólo de competitividade, cuja candidatura é apresentada em Outubro. O conhecimento parece, entretanto, ter andado distante das empresas do sector agro-pecuário da região Norte.

Bem apetrechadas tecnologicamente, muitas vezes essa maquinaria não é utilizada a 100 por cento, nem optimizada e tudo porque “falta conhecimento”, diz Ondina Afonso, coordenadora do Estudo Estratégico e Prospectivo para a Criação de um Pólo de Competitividade para a Fileira Agro-Alimentar na Região Norte, e que agora prepara a candidatura ao Programa Operacional de Factores de Competitividade.

Avaliado o sector, verificou-se que a produção se concentra num número reduzido de empresas, pouco organizado. Por outro lado, identificaram-se as competências científicas na região como tendo capacidade de ter “know-how”, que permitiria o desenvolvimento do sector. Tendo em conta estes dois vectores existem já “12 empresas interessadas em serem parceiros no pólo Agro-alimentar”, referiu Ondina Afonso, acrescentando que os membros produtores de conhecimento, o núcleo original, já está definido (ver caixa).

Para os responsáveis pelo estudo, que está na origem da candidatura à criação do Pólo, a proposta é que esta estrutura deverá ser um parceiro de referência da fileira agro-alimentar, promovendo o conhecimento, com o objectivo de construir uma rede de oferta comandada pela procura. As empresas da região são na sua maioria PME, “sem grande capacidade negocial e produtiva para a grande distribuição. A reunião entre eles, a inovação seguida pelas grandes empresas, ou a procura de nichos de mercado podem ser uma solução”, adiantou a professora.

Para os nichos de mercado, o estudo aponta para a criação de produtos gourmet. “Alguns produtos tradicionais, como as conservas, por exemplo, estão a reaparecer, mas como faz já uma empresa para exportação, tendo em atenção a embalagem, a extrema qualidade da matéria-prima e a sua apresentação”, sublinhou. Mas, há outros produtos, acrescentou, lembrando a nova portaria para a ASAE sobre os produtos tradicionais. “Com esta defesa teremos hipótese de avançar com produtos tradicionais que são uma mais-valia, desde carne, queijos, enchidos, frutos”, mercados, que, segundo a especialista, começam a atrair os mais novos, rejuvenescendo o sector.

No entanto, frisou, não basta indicar trajectos, é necessário estar atento às mudanças que são constantes. Por essa razão, neste momento, a equipa responsável pela candidatura tenta definir qual o modelo a seguir para a governação do pólo, se será associativo ou de lógica empresarial. Para já, têm uma certeza: “Terá que existir uma equipa, pequena, a trabalhar a tempo inteiro, constituída por pessoas que percebam de ciência, mas que também tenham sensibilidade para o mercado”.

Isto é, profissionais capazes de entender as tendências de mercado, as novas directivas, que entendam a linguagem científica apresentada pelas equipas do saber e, além disso, tenham a capacidade “de transformar tudo isto em linguagem de leigos, para que as empresas saibam os caminhos a traçar e quais as melhores apostas”.

Para presidir o pólo ainda não foi pensado nenhum nome.´

Fonte: Anil

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