Dieta pobre em peixes gordos aumenta propensão a depressão

Uma dieta pobre em ácidos gordos ómega- 3, presentes sobretudo no peixe e em determinados vegetais, poderá aumentar o risco de depressões ou de problemas cardíacos, revela um estudo publicado esta semana no American Journal of Psychiatry.

O trabalho foi conduzido pelo investigador Gordon Parker, director do Black Dog Institute, na Austrália, um instituto especializado em alterações do comportamento emocional, como depressões ou doença bipolar, associado ao Prince of Wales Hospital e filiado na Universidade de New South Wales.

As conclusões do estudo relacionam os estados de depressão com o baixo consumo de alimentos ricos em ácidos gordos ómega-3, como o peixe e vários vegetais, cada vez mais ausentes da dieta diária da população ocidentalizada.

A investigação estabeleceu um elo de ligação entre o baixo consumo de peixe e taxas mais elevadas de depressão e de doença bipolar.

O mesmo estudo revela que os suplementos alimentares de óleo de peixe podem ser utilizados ao mesmo tempo que os anti-depressivos na cura de situações de depressão.

Contudo, as conclusões não deixaram claro se os suplementos de ómega-3 sozinhos têm propriedades anti-depressivas ou se a sua acção é potenciada quando consumidos com estes medicamentos.

Os resultados da investigação indicaram ainda que as mães em período pós-natal com baixo índice de ómega-3 no seu leite eram mais afectadas por depressão pós-parto.

Gordon Parker considerou haver um cada vez maior interesse na possível relação entre as actuais dietas alimentares e as crescentes taxas de depressão nas sociedades ocidentais.

A dieta ocidental tem-se modificado consideravelmente ao longo dos últimos 150 anos, com os ácidos gordos polinsaturados ómega-3 a serem substituídos por gorduras saturadas, de origem animal, e ácidos gordos polinsaturados ómega-6, dos óleos vegetais comuns, como os de amendoim, soja, girassol ou milho.

Relativamente a este último, o investigador explicou que «durante o processo de metabolismo, o ómega-6 compete no organismo com o ómega-3 de uma forma que reduz o nível de ómega-3 no corpo».

Gordon Parker acrescentou que estas alterações dos níveis de ácidos gordos nas dietas deverão estar relacionadas com o aumento das doenças cardiovasculares, das depressões e de outras desordens neurológicas, já que há vários outros estudos epidemiológicos a apontar nesse sentido.

Os peixes mais comuns no mercado com índices ricos de ómega-3 são os gordos, que contêm ácidos docosahexanóico (DHA) e eicosapentanóico (EPA), como a cavala, o salmão, o atum, a truta, a sardinha ou o arenque.

Existem também óleos vegetais ricos em ómega-3, presente sob a forma de ácido alfa-linolénico (ALA), como os do cânhamo, da colza e sobretudo da noz, bem como no gérmen de trigo.

Quanto aos legumes, os mais ricos em ALA são as couves, o agrião, o cebolinho, os espinafres, a salsa, a alface, os rebentos de bambu e em particular o alho.

Os frutos que contêm ómega-3 são principalmente os vermelhos, mas também as maçãs, o limão, a manga e a goiaba.

Fonte: Diário Digital

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