Cada vez mais crianças americanas sofrem de “diabesidade”, um neologismo para designar uma forma de diabetes resultante da obesidade. O alarme parte de uma endocrinologista de Los Angeles, que compara o fenómeno a um “tsunami” devastador.
“Existem duas formas de diabetes”, doença que se traduz por um nível de açúcar anormalmente elevado e potencialmente mortal no sangue, explicou a médica Francine Kaufman à agência de notícias France Presse. A de tipo 1, muitas vezes de origem genética, resulta da destruição, pelo sistema imunitário, das células do pâncreas que produzem a insulina necessária para a regulação do açúcar no sangue. Na de tipo 2, são as próprias células do corpo que se tornam resistentes à insulina; o pâncreas desgasta-se então na sua produção e deixa de funcionar.
“Quando comecei na Medicina, nos anos 1970, o tipo 2 era considerado doença que só afectava os maiores de 50 anos”, indica a médica, autor da obra “Diabesity”. Mas, de há 20 anos a esta parte, a explosão de casos de obesidade entre adultos e depois entre crianças nos EUA teve como consequência um extraordinário aumento das complicações associadas “tensão arterial, colesterol e diabetes de tipo 2”, cujos primeiros casos pediátricos foram observados no Hospital de Los Angeles em meados dos anos 1990. Hoje, representam já 25% dos casos da doença, ou seja, dez vezes os níveis normais. Sem números sobre crianças relativos a todos os EUA, sabe-se que cerca de 9% dos adultos são diabéticos, 90% deles são casos de tipo 2, percentagem que se pode relacionar directamente com os 30% de obesos do país.
“Assistimos hoje ao resultado de 40 mil anos de luta do homem pela segurança alimentar fomos demasiado longe e atingimos o excesso para alguns”, comenta a médica. Ora, se há tratamentos para ajudar os diabéticos a viver o mais normalmente possível, é impossível curar a doença. Em contrapartida, no caso da diabetes de tipo 2, é possível identificar riscos (excesso de peso, alimentação desequilibrada, sedentarismo) antes de ela se manifestar. Mas a omnipresença da fast-food e dos refrigerantes, bem como o preço da fruta e dos legumes nos EUA dificultam a tarefa de sensibilização dos mais novos.
A diabetes pode ter como consequências cegueira, ataque cerebral, crise cardíaca, gangrena e insuficiência renal e a redução da esperança de vida em 20 anos. Se os modos de vida não evoluírem, alerta Francine Kaufman, os diabéticos chegarão aos 330 milhões em todo o Mundo em 2020.
Fonte: JN
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