Dia da Alimentação: Consumidores desconfiam de transgénicos, marcas rejeitam-nos

A desconfiança dos consumidores levou já muitas marcas a rejeitar a comercialização de alimentos contendo organismos geneticamente modificados (OGM) tornando-os praticamente ausentes dos hipermercados, apesar das garantias de segurança.

Ao certo, ninguém sabe quantos nem quais estão à venda nas grandes superfícies, sendo certa apenas a afixação obrigatória de rotulagem indicativa para qualquer alimento que contenha mais de 0,9 por cento de um OGM.

A União Europeia autoriza actualmente a comercialização de diferentes variedades de alimentos contendo transgénicos como a soja, o milho, a colza e o algodão, que entram na composição de produtos tão diversificados como as bolachas , confeitaria, snacks, cereais, refrigerantes, chocolates, margarinas ou gelados .

Mas os receios dos consumidores levaram muitas marcas a assumir publicamente a não utilização de OGM.

É o que acontece com as marcas próprias do grupo Auchan (hipermercados Jumbo e supermercados Pão de Açúcar), Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova e Recheio) e Modelo Continente.

Questionados pela Agência Lusa a propósito do Dia da Alimentação, que se assinala segunda-feira, responsáveis das empresas afirmaram que os seus contra tos com os fornecedores excluem a utilização de ingredientes e géneros alimentícios que contenham ou sejam produzidos a partir de OGM.

As empresas referiram ainda que no caso dos produtos de outras marcas a utilização de OGM é permitida desde que a rotulagem inclua informação de que o alimento contém ou é produzido a partir de um transgénico.

Outras grandes multinacionais como a Nestlé, Unilever, Danone, Cadbury’ s ou Cuétara também anunciaram a eliminação de OGM nos seus produtos.

Para Pedro Fevereiro, presidente do Centro de Informação de Biotecnologia, tudo se resume a “uma questão comercial”.

“As empresas acham que se garantirem aos consumidores que os seus produtos não contêm OGM não serão prejudicadas em termos de vendas”, salientou.

No entanto, embora os consumidores europeus “tenham a percepção de que estes alimentos são perigosos”, isso não corresponde à verdade, disse o mesmo responsável.

“A Organização Mundial de Saúde diz explicitamente, em vários documento s, que estes alimentos não apresentam risco superior aos convencionais”, frisou.

Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, acrescentou que “são muito poucos os produtos com OGM que se encontram nos supermercados”.

“A partir do momento em que a rotulagem se tornou obrigatória, as empresas começaram a assumir uma política de exclusão de transgénicos porque os consumidores não os querem”, afirmou.

Alexandra Veiga de Barros, do departamento científico da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, considera que o problema é “a barreira do desconhecimento”.

“As pessoas estão pouco informadas. A percepção que eu tenho é de que a s pessoas nem sabem o que são os transgénicos. Além disso, não há muito o hábito de ler os rótulos”, referiu esta especialista.

Um inquérito do Instituto de Ciências Sociais sobre os portugueses e o ambiente, datado de 2001, mostrava que a esmagadora maioria das pessoas se posiciona de uma forma bastante cautelosa quanto aos alimentos com OGM.

Cerca de um terço referia que antes de se generalizar os OGM à alimentação humana devia haver mais garantias de que eles não são prejudiciais para a saúde (32,9 por cento).

Um quinto era radicalmente desfavorável à comercialização dos OGM, referindo mesmo que eles devem ser banidos do mercado (20 por cento) e 16,3 por cento dos inquiridos defendiam que os organismos geneticamente modificados podem ser comercializados desde que devidamente rotulados.

Havia também valores significativos de “não sabe/não responde” (29,4 por cento), a segunda resposta mais dada em relação a esta matéria, o que evidencia, segundo os investigadores, a desinformação e desconhecimento sobre a aplicação da biotecnologia à produção alimentar.

Para Alexandra Veiga de Barros, os receios são injustificados.

“Há poucos alimentos tão avaliados como os OGM. Cada variedade que é autorizada na União Europeia é sujeita a uma avaliação de risco muito rigorosa”, explicou.

A responsável da ASAE defende mesmo que os alimentos contendo OGM têm algumas vantagens sobre os convencionais.

Actualmente, essas vantagens são sobretudo dirigidas para os agricultores porque permitem obter plantas mais resistentes a herbicidas e pragas de insectos e melhorar o rendimento da produção.

Mas os benefícios tendem a alargar-se cada vez mais aos próprios consumidores.

É o caso do “arroz dourado” com maior conteúdo de pró-vitamina A que poderá contribuir para combater a cegueira nos países em vias de desenvolvimento dependentes deste tipo de alimento, dos tomates com maior conteúdo vitamínico ou dos amendoins com menor probabilidade de provocar alergias (alergenecidade).

Fonte: Agroportal

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