O Algarve vai passar a ter capacidade para produz ir anualmente, a partir de Novembro, até 80 toneladas de peixe criado em jaulas oceânicas, através de um projecto do Instituto de Investigação das Pescas e do M ar (IPIMAR).
O objectivo é produzir em jaulas oceânicas espécies como o sargo e a dourada através do sistema de aquacultura offshore (em alto mar), método que permite obter uma produção superior ao sistema de aquacultura tradicional, praticado em rias e sistemas lagunares.
Em todo o país, só na costa algarvia é que está actualmente a ser utilizado o sistema, depois de uma experiência falhada em Sines, embora o método já seja utilizado em países como a Grécia, Japão e Estados Unidos.
Segundo disse à Lusa o director do IPIMAR, Carlos Costa Monteiro, a jaula situada numa estação frente à Ilha da Armona, em Faro, vai começar a produzir peixe para fins comerciais a partir de Novembro, depois de cerca de três anos d e ensaios.
O investigador justifica a importância estratégica deste sistema de aquacultura com o facto de Portugal consumir anualmente em média 70 quilos de peixe “per capita”, quase o dobro da média da União Europeia, e dos stocks naturais d e peixe estarem a diminuir.
Neste momento a aposta recai sobre o sargo e a dourada, espécie já muito utilizada em aquacultura, mas já se estão a fazer experiências com corvinas e garoupas, sendo que primeiro as espécies são criadas numa estação em terra e só depois transferidas para as jaulas.
“O sargo, por exemplo, é uma das espécies novas em que estamos a aposta r e que tem um valor comercial tão grande ou maior do que a dourada, com a particularidade de haver menos oferta no mercado”, sublinhou.
A primeira “fornada” de peixes produzidos naquela jaula – neste momento só existe uma, mas em breve serão três -, só deverá sair para o mercado daqui a um ano, que é normalmente quanto demora um ciclo de produção.
A jaula está situada a cerca de duas milhas da costa e tem uma parte que está à superfície, por onde se alimentam os peixes, e a particularidade de afundar completamente sempre que há mau tempo.
Numa primeira fase estima-se que a capacidade de produção atinja as 60 toneladas por ano, mas depois poderá chegar às 80, ao abrigo de protocolos estabelecidos com empresários e associações de aquacultura da região.
“Além do aumento da capacidade produtiva, o sistema tem também a vantagem de, por ser em mar aberto, não ter tantas condicionantes como o tradicional, praticado em zonas mais frágeis e já com um uso muito intenso”, observou Costa Monteiro.
Segundo aquele responsável, as espécies produzidas em aquacultura têm quase tanta qualidade como as selvagens, sendo em alguns casos difícil fazer a distinção, pois o gosto é idêntico.
“São produtos bons em termos dietéticos e podem e devem ser consumidos com toda a segurança”, afirmou, acrescentando que existe ainda a vantagem dos preços serem menores.
Dentro de um mês, arranca também a produção de bivalves (ostras e mexilhões) através do sistema de aquacultura offshore, ao abrigo de um protocolo firmado com agentes económicos do sector.
Fonte: Agroportal
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