A água da rede pública de Porto de Mós foi contaminada com amónio (NH4) em excesso. A situação afecta cerca de 30% da população, num total de quase dez mil pessoas, que estão impedidas de usar a água da torneira para beber ou confeccionar a comida. Tudo aponta para que a origem do problema tenha sido uma descarga suinícola, que contaminou os lençóis freáticos na zona de um dos furos de captação. A população foi informada e, em três zonas do concelho, está a ser abastecida por cisternas dos bombeiros. As autoridades locais acreditam que, até terça-feira, a situação regresse à normalidade.
O problema foi detectado anteontem, segundo explicou o presidente da Câmara, João Salgueiro. As análises efectuadas à água davam conta de valores anormais de amónio. “De imediato, alertámos a população para que não consumisse água da torneira, enquanto procurámos detectar a origem do problema”, contou.
Acabaram por descobrir que a contaminação tinha acontecido na captação da Fonte dos Vales, em S. Jorge. Na zona, explicou ainda o autarca, localiza-se uma exploração suinícola que se suspeita ter sido responsável pelo problema. A GNR levantou um auto de contra-ordenação ao proprietário e prossegue a investigação para apurar o que se passou.
Aquela captação é responsável pelo abastecimento de cerca de 30% do concelho. A água é enviada do furo para um depósito próximo e, dali para as habitações. João Salgueiro assegurou que “já se procedeu à limpeza do depósito e das condutas”.
Ontem, a autarquia voltou a encher o reservatório, mas com água de outras zonas de captação. Estão a ser efectuadas novas análises, cujos resultados serão conhecidos ao final do dia de segunda-feira. “Se todos os parâmetros estiverem normais, o abastecimento regressa à normalidade”, frisou o autarca.
Ontem, ao final da manhã, os garrafões de água esgotaram em grande parte dos supermercados, dada a intensa procura. Os bombeiros instalaram cisternas em Cruz da Légua, Calvaria e no centro de Porto de Mós, próximo de lares de idosos e centros de dia. Os moradores aproveitaram para encher garrafões.
“É complicado não poder usar água da torneira, mas compreendemos que é uma questão de saúde pública”, afirmou Maria do Rosário, uma das moradoras.
Fonte: Jornal de Notícias
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