Detritos de uma substância cancerígena poderão escorrer para o rio Zêzere na sequência do mau tempo da última semana, vindo a contaminar as águas da barragem de Castelo de Bode, que abastece a Grande Lisboa.
De acordo com a edição de hoje do semanário Sol, as 400 toneladas de arsénio-pirite – combinação cancerígena de perigo elevado para a saúde pública – há décadas concentradas na povoação do Rio, junto às Minas da Panasqueira, correm perigo de derrocada para o rio Zêzere.
Esta situação é considerada pelo Ministério do Ambiente particularmente grave, uma vez que estas águas seguem para a barragem de Castelo de Bode, que abastece Lisboa.
O semanário Sol noticiou a situação a 30 de Setembro e na altura, o presidente da Câmara Municipal do Fundão, Carlos Martinhos, considerou a notícia «alarmista» e garantiu que não havia qualquer perigo.
No entanto, segundo o jornal, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, considera que esta situação é muito grave.
«As escombreiras e a barragem de lamas, constituídas por materiais finos, incluindo metais pesados, apresentam níveis de toxicidade elevados, associados a sinais graves de instabilidade que podem colocar em risco a segurança das pesso as e bens», afirmou Nunes Correia em despacho de 11 de Maio, após um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
O ministro alertou para a «possível contaminação das águas do rio Zêzere» e atribuiu a responsabilidade pelo controlo das escombreiras e da barragem dela mas à Câmara do Fundão e à Beralt Tin & Wolfram S.A. (concessionária da Minas da Panasqueira).
Considerando que a situação era muito grave, o ministro Nunes Correia ordenou a interdição imediata de toda a zona das escombreiras e o corte da circulação de veículos no coroamento do aterro da barragem, o que, passado cinco meses, ainda não aconteceu.
Em visita ao local, Anselmo Gonçalves da Universidade de Coimbra disse ao Sol que «depois das fortes chuvadas, ficou claro que o processo de impermeabiliz ção falhou e, pior ainda, abriram-se fendas enormes, pondo em causa a estabilidade dos taludes de suporte».
No entender de Anselmo Gonçalves, tal facto «é um perigo iminente para a saúde pública» e pode criar «gravíssimos problemas para as já feridas de morte águas do Zêzere».
Fonte: Diário Digital
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