Uma decisão das autoridades de saúde sobre o inquérito ao produto dietético Depuralina retirado do mercado por suspeita de ter afectado consumidores poderá ser tomada da próxima semana, disse hoje o advogado da empresa fornecedora.
“Foi-nos transmitida a expectativa, não a promessa, de que haja uma decisão na próxima semana”, disse Rogério Alves à agência Lusa depois de reuniões com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e Direcção-Geral de Saúde (DGS).
“Disseram-nos que farão tudo por tudo para emitir uma decisão sobre a questão na próxima semana”, acrescentou o ex-bastonário da Ordem dos Advogados.
Os encontros com a ASAE e a DGS serviram também para a empresa fornecedora do dietético de venda livre usado em dietas de emagrecimento “entregar relatórios sobre testes laboratoriais ao produto feitos tanto em Portugal como em Espanha”, acrescentou Rogério Alves.
Ao todo, as autoridades de saúde estão a investigar oito casos de pessoas com reacções adversas que podem estar relacionados com o consumo de Depuralina, um suplemento alimentar usado em dietas de emagrecimento.
Segundo o director-geral da Saúde, Francisco George, está a tentar demonstrar-se se existe uma relação entre as reacções adversas manifestadas por aquelas pessoas com o consumo do produto.
“Essa demonstração, que se chama imputação causal, é um processo complexo. Os trabalhos estão a decorrer”, disse hoje aquele responsável aà margem de um encontro no âmbito da Plataforma de Obesidade.
O director-geral acrescentou que a empresa produtora da substância já foi informada do ponto de situação e que está a colaborar na investigação.
A venda da Depuralina foi suspensa no passado dia 01 de Abril, devido a “fortes suspeitas de associação causal entre a utilização” do produto e o aparecimento de episódios tóxicos graves, anunciou fonte oficial.
As “fortes suspeitas” de casos de alergias (choque anafiláctico) e de toxicidade do fígado devido ao consumo da Depuralina surgiu após a notificação de “três casos graves de doença aguda, e após análise por especialistas da Direcção-Geral da Saúde, do Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura e do Infarmed”.
No passado dia 04 de Abril a DGS confirmou que mais um caso de eventuais reacções adversas ao produto estava sob investigação. A esses quatro casos, juntaram-se entretanto mais quatro, segundo disse hoje Francisco George.
Identificada a situação pelos dispositivos de alerta e seguindo o princípio da precaução e por razões de protecção da saúde pública, foi determinada a suspensão imediata da comercialização do suplemento alimentar Depuralina, segundo um comunicado da Direcção-Geral da Saúde, Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura e Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).
O documento recomenda ainda que os consumidores do suplemento suspendam o seu consumo e, caso apresentem qualquer alteração do seu estado de saúde, consultem de imediato um médico.
O produto está à venda em Portugal desde Janeiro, tendo-se registado a comercialização de mais de 154 latas do suplemento alimentar, pelo que os responsáveis da empresa produtora afastam um cenário de intoxicação de um determinado lote.
Fonte: Diário Digital
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