Défice na balança comercial das frutas e hortícolas

Portugal produz cada vez mais frutas e hortícolas, mas mantém um défice comercial muito elevado, 343 milhões de euros da média entre 2000 e 2006, com a importação superior à exportação.

O relatório sobre a evolução deste comércio desde o início do século é hoje divulgado pelo Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares (OMAIAA), cuja avaliação salienta que houve um aumento das exportações no sector da fruta e hortícolas em termos de quantidade, mais evidente nos produtos hortícolas, que atingiu, em 2006, o dobro do valor do ano 2000, 46.944 e 104.844, respectivamente.

Segundo o documento, as importações mantêm-se estabilizadas no que diz respeito à quantidade, mas estão cada vez mais dispendiosas, compreendendo um acréscimo de 14,7 por cento, salienta o Observatório.

O défice da balança, explica o OMAIAA, deve-se ao facto de as saídas terem sido inferiores às entradas, tal como nas hortícolas que se exportaram, em 2006, pouco mais de cem mil toneladas e importaram-se cerca de 450 mil.

Nos frutos, saíram perto de 150 mil e entraram mais de 500 mil toneladas, números que aclaram o défice dos dois sectores, para os anos de 2000 a 2006, se situar nos 343 milhões de euros por ano, o que «representa 13,3 por cento do total da balança de pagamentos agro-alimentares em Portugal, esclarece o relatório.

Dos vários produtos hortícolas, os mais importados são a batata de conservação, o tomate, a cenoura e o nabo, sobretudo de Espanha, França e Alemanha, enquanto que da lista dos mais exportados estão a alface; tomate; couves e batatas para o Reino Unido, Espanha e França.

Quanto aos frutos, entram em Portugal muitas bananas e frutos exóticos e saem, para a União Europeia, pêra, castanha e pinhão.

Maria Antónia Figueiredo, da CONFAGRI e presidente do Observatório, considera, em comunicado, «ser oportuno intervir no papel dos circuitos de comercialização, em particular no poder negocial excessivo que é apontado às médias e grandes superfícies comerciais, sendo necessário estudar formas de melhor disciplinar estes circuitos de distribuição e comercialização».

A responsável acrescenta ainda, que «deverão ser proporcionadas pelo Estado melhores condições à produção, à transformação, à distribuição e à comercialização, através dos mercados abastecedores regionais, locais e tradicionais e através dos sectores cooperativos ligados quer à produção agrícola, quer aos consumidores», cita o Público.

O sector da produção de frutas e hortícolas é uma das fileiras consideradas prioritárias pelo Governo no actual quadro comunitário de apoio, refere o mesmo jornal.

Fonte: Público

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