Decréscimo da produtividade dos cereais de Outono / Inverno e quebra de 30% nos pomares de cerejeira

As previsões agrícolas do INE, em 31 de Maio de 2010, apontam para uma quebra significativa do rendimento da cereja, com uma elevada proporção de frutos fendilhados. Prevêem-se ainda decréscimos generalizados na produtividade dos cereais para grão de Outono-Inverno. No que se refere às áreas de batata, girassol e tomate para a indústria prevê-se idêntica tendência, embora menos expressiva.

O mês de Maio caracterizou-se, em termos meteorológicos, por valores da quantidade de precipitação inferiores ao normal e elevadas amplitudes térmicas, tendo mesmo ocorrido, em meados do mês, uma onda de calor no Litoral Norte e Centro e no Alto Alentejo. A instabilidade atmosférica que usualmente caracteriza o mês de Maio apenas se fez sentir pontualmente, em particular nas regiões do Norte e Centro, com a formação de geadas tardias em locais mais abrigados e a ocorrência de ventos fortes, trovoadas e aguaceiros, por vezes sob a forma de granizo.

Este quadro meteorológico acabou por beneficiar a actividade agrícola, com reflexos positivos na produção de massa verde nos prados, pastagens e culturas forrageiras. Permitiu ainda que os trabalhos de fenação, entretanto iniciados, tenham decorrido dentro da normalidade, apresentando os fenos recolhidos boa qualidade. O recurso a palhas e fenos armazenados foi nesta altura praticamente nulo, sendo que o uso dos concentrados para alimentação animal se tornou meramente complementar, tendo sido utilizados somente em fases muito específicas dos processos produtivos.

Superfícies de arroz e milho sem alteração
Os atrasos com que decorreram os trabalhos de preparação das terras e as sementeiras das culturas de Primavera/Verão, em consequência do estado de saturação hídrica dos solos, não influenciaram as superfícies semeadas de arroz e de milho de regadio, que se prevêem semelhantes às verificadas na campanha anterior, respectivamente com 28 e 88 mil hectares.

Retracção da área de batata de regadio em 2 mil hectares
Com as plantações de batata de regadio já concluídas, constata-se uma redução de 5% comparativamente à campanha anterior. Para esta redução contribuíram, decisivamente, as dificuldades de escoamento e os baixos preços praticados no ano anterior.

Prorrogação do seguro de colheitas para o tomate para a indústria evita quebra acentuada das plantações

Prevê-se uma redução de 5% nas superfícies de tomate para a indústria e de girassol, para valores a rondar os 16 mil hectares no tomate e 23 mil hectares no girassol. A prorrogação, a título excepcional, do prazo de cobertura do seguro de colheitas para a cultura do tomate para a indústria, garantiu a segurança necessária para que os agricultores avançassem com as plantações. Os atrasos na preparação dos terrenos, e consequentemente na plantação, fez derrapar o calendário cultural em quase um mês, o que poderia implicar o prolongamento da colheita até finais de Setembro ou mesmo de meados de Outubro, situação que teria desviado muitos agricultores desta cultura, que temiam prejuízos avultados não cobertos pelo seguro.

Cereais de Outono-Inverno menos produtivos
A dificuldade em entrar com máquinas nos terrenos saturados retardou e, em muitos casos, impossibilitou a realização de adubações de cobertura e de mondas químicas. Desta forma, apesar das condições climatéricas na Primavera terem sido favoráveis ao desenvolvimento destas culturas, as carências nutricionais e a elevada presença de infestantes contribuíram para uma quebra generalizada nas produtividades dos cereais, em particular no trigo (-20% no mole e -15% no duro), mas também no triticale e cevada (-10%) e na aveia (-5%). A única excepção é o centeio, que mantém o rendimento do ano anterior.

Produtividade da batata de sequeiro decresce
Iniciou-se já em algumas regiões a colheita da batata de sequeiro, prevendo-se uma quebra do rendimento unitário na ordem dos 10% face a 2009.

Excesso de água afecta produtividade da cereja
Com o início da colheita das variedades mais temporãs de cereja, constatam-se quebras significativas de produtividade, em resultado quer das fortes chuvas ocorridas na altura da polinização, que provocaram a diminuição da percentagem de frutos vingados, quer das que surgiram aquando da formação do fruto que, apesar de terem contribuído para o aumento do seu calibre, favoreceram o fendilhamento, prejudicando a qualidade e valor comercial dos mesmos. Desta forma, prevê-se uma redução na ordem dos 30% no rendimento
das cerejeiras.

Produtividade dos pessegueiros sem alterações
Apesar dos fortes ataques de lepra a que a cultura foi sujeita nos meses de Abril e Maio, não se esperam alterações na produtividade dos pessegueiros face ao ano anterior.

Climatologia em Maio de 2010
Segundo o Instituto de Meteorologia, a precipitação acumulada desde 1 de Outubro de 2009 a 31 de Maio de 2010 é superior a 120% em relação ao valor médio em quase todo o território, sendo mesmo superior a 150% no interior Norte, Lisboa e Barlavento Algarvio.

Fonte: Agroportal

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