Deco alerta para falta controlo medicamento para emagrecer

Um estudo da associação de defesa do consumidor Deco alerta para a falta de controlo na venda do primeiro medicamento para emagrecer não sujeito a receita médica em Portugal, o que pode conduzir a situações de abuso.

Duas colaboradoras da Deco sem excesso de peso visitaram anonimamente 48 locais de venda de medicamentos e apenas em cinco não lhes foi vendido o Alli, o primeiro medicamento para emagrecer sem receita médica aprovado pela Agência Europeia do Medicamento.

No total foram visitados, em Janeiro e Fevereiro deste ano, 36 farmácias e 12 estabelecimentos autorizados a vender medicamentos não sujeitos a receita.

«O nosso estudo demonstra a falta de controlo na venda do Alli, o que conduz a situações de abuso. O atendimento dos profissionais deixa muito a desejar. Nada perguntam ao consumidor e, em regra, limitam-se a vender o medicamento. Não se revelaram prestadores de saúde nem um filtro contra o uso incorrecto dos medicamentos», comenta a análise da Deco, hoje divulgada na revista Teste Saúde.

Recorda a associação de defesa do consumidor que o Alli é recomendado apenas a quem tem um índice de massa corporal (IMC – relação entre peso e altura) igual ou superior a 28.

Em nenhum dos 43 locais visitados foi perguntada a altura, o peso ou calculado o IMC das utentes. Em 29 desses locais nada foi perguntado sobre o estado de saúde das consumidoras e apenas em 25 a informação sobre a toma correcta do Alli foi abordada.

«Quem vende este medicamento não se preocupa sequer em saber a história clínica do paciente e há casos em que a toma está desaconselhada, como na amamentação e quem tinha sido sujeito a transplante», sublinhou a coordenadora do estudo, Teresa Rodrigues.

Os possíveis efeitos secundários do medicamento só foram indicados por 11 profissionais.

«A venda de um medicamento que reduz a quantidade de gordura absorvida pelo organismo dá azo a abusos. Também o uso incorrecto do mesmo pode originar deficiências nutricionais», sublinha a Deco.

Em conclusão, a associação defende que a venda do Alli sem receita médica é «um mau princípio» e apela à Agência Europeia do Medicamento para rever os critérios que estão na base da autorização.

A mesma análise foi realizada por congéneres da Deco em Espanha, Itália e Bélgica, tendo sido obtidos resultados semelhantes.

O Alli entrou no mercado europeu em 2009, tendo começado a ser comercializado em Portugal em Março desse ano.

Fonte: Diário Digital

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