Os números não enganam. Das quase seis mil toneladas de tabaco em folha produzidas em Portugal no ano 2000, já só restam memórias. Actualmente, a produção regista menos de 1500 toneladas.
O número de produtores também tem vindo a diminuir e tudo leva a crer que a campanha do tabaco deste ano seja uma das últimas em Portugal.
É pouco conhecida a realidade agrícola em Portugal. A da produção do tabaco ainda menos. Na Beira Baixa está localizada cerca de 85% da plantação de tabaco a nível nacional, com o tipo “Virgínia” (tabaco curado artificialmente em estufas aquecidas). São os concelhos de Castelo Branco, Fundão, Idanha-a-Nova e Ponte de Sôr (Alto Alentejo) que albergam os campos de tabaco “Virgínia”. O tabaco tipo “Burley” (curado ao ar livre) é plantado no Pombal, S. Miguel (Açores), Leiria e Trás-os-Montes, em campos de menor dimensão.
Mas é da Beira Baixa que sai a maior parte da produção nacional. Os concelhos, que tinham encontrado no tabaco uma maneira de dar a volta ao desemprego, vêem agora a ameaça de centenas perderem o posto de trabalho.
A produção tem vindo a ser abandonada para se procurarem culturas mais rentáveis. Uma das mais importantes razões apontadas para o declínio da produção é o aumento contínuo dos custos – gasóleo, electricidade, adubo e a própria mão-de-obra. As ajudas comunitárias não têm acompanhado a subida dos custos e os preços do tabaco estão muito próximo dos mesmos valores de há oito anos.
A partir de 2010 e até 2013, as verbas até agora destinadas ao tabaco serão repartidas para outros projectos de desenvolvimento rural. Está estipulado que apenas metade da verba disponível será usada nesta cultura. Os outros 50% têm como destino a reconversão das culturas.
A Associação de Produtores de Tabaco (APT), que representa agricultores da região da Beira Baixa, diz ter apresentado vários estudos ao Ministério da Agricultura para fazer com que a plantação de tabaco não desapareça por completo. No entender da APT, a divisão de fundos tornará ainda mais difícil a vida dos que apostaram só no tabaco, assim como os que vão apostar numa cultura alternativa. Segundo dados da APT, muitos agricultores da região já começaram a mudar para negócios que julgam mais rentáveis, como as hortícolas. Os estudos feitos pela APT apontam a produção de queijo, olival, bioetanol e gado como outras opções.
A APT diz esperar brevemente uma resposta do Ministério da Agricultura e da secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural, sobre as propostas e estudos apresentados. A APT adverte que a “reconversão dos terrenos vai obrigar a um grande investimento por parte dos produtores, que já estão fragilizados e muito endividados pela aposta que fizeram nas plantações de tabaco”. Foi há dois anos que encerrou a única fábrica de transformação de tabaco em rama existente no Continente e que fez com que se passasse a exportar para a Polónia. Portugal também exporta para Itália e, mais recentemente, para Espanha.
Fonte: Jornal de Notícias
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