Crise económica trava comércio livre

Um grande número de países já está a quebrar o compromisso estabelecido na cimeira do G20, realizada à dois meses, em Washington, onde os líderes mundiais acordaram rejeitar o proteccionismo comercial e a manter os princípios do mercado livre.

A Indonésia, para proteger os fabricantes nacionais das importações do estrangeiros está a aplicar restrições a pelo menos 500 produtos exigindo licenças especiais e novos encargos sobre as entradas de produtos externos, à semelhança da Rússia, que também já aumentou as taxas aduaneiras dos carros importados e da carne de aves de criação e de porco.

Também a França, países membro da União Europeia (UE), lançou um fundo público para proteger as empresas francesas de takeovers estrangeiros e, do outro lado do Oceano, a Argentina e o Brasil tentam subir as taxas aduaneiras sobre produtos que vão do vinhos e têxteis aos pêssegos e artigos de couro, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os Estados Unidos estão potencialmente incluídos na lista de países que dificultam o acesso aos seus mercados, onde os críticos chamam à ajuda financeira da Casa Branca à indústria automóvel um subsídio desleal, que coloca em desvantagem a concorrência estrangeira.

Os analistas afirmam que nos tempos difíceis as nações ficam mais inclinadas a tomar medidas que inibem o comércio, frequentemente com consequências desastrosas, exemplificando com as restrições ao comércio impostas pelos países nos anos 30, que levaram a uma guerra comercial global e, consequentemente, veio a prolongar a Grande Depressão.

Segundo um professor de Política Comercial na Universidade de Cornwell, Eswar S. Prasad, «as empresas exportadores tendem a ser inovadoras, dinâmicas e capazes de gerar um bom crescimento do emprego», nos entanto, se as restrições ao comércio causadas pelas guerras comerciais fecharem, os seus fornecedores fecham, agrava-se o desemprego, «e pode-se ter rapidamente um efeito espiral a transmitir-se a toda a economia».

A maior partes das medidas tomadas até agora parecem estar dentro dos limites dos tratados comerciais internacionais em vigor, os quais asseguram aos países algum espaço para estabelecerem taxas e contêm ambiguidades que podem ser exploradas para proteger as indústrias nacionais, escreve o Público.

No entanto, a tendência geral para o proteccionismo pode minar o avanço do comércio livre durante a era da globalização, com os países mais dep3enden3tes das exportações como a China, a ficaram mais expostos.

Razão que levou os líderes das 20 maiores economias e economias emergentes, a reunirem-se em Washington, a 15 de Novembro passado, para uma cimeira económica global, onde se comprometeram refrear as medidas proteccionistas, pelo menos por 12 meses.

O G20 prometeram ainda alcançar um grande avanço este ano num acordo de comércio global que se encontra estagnado, mas que faria descer as taxas aduaneiras de uma grande diversidade de exportações, injectando cerca de 71,3 mil milhões de euros na economia.

Mas os países não cumpriram estas promessas, como por exemplo a Índia, que estabeleceu uma nova taxa de 20 por cento sobre as importações de alguns óleos de soja, para proteger os seus agricultores face à queda dos preços no mercado internacional.

Também para proteger seus agricultores, o Kremlim, em 11 de Dezembro, aumentou os impostos sobre as importações de carne de porco 3e de aves de criação, numa medida passível de se repercutir nos Estados Unidos, que em 2008 exportaram 527,5 milhões de euros só para a Rússia.

O avanço do comércio livre está também perante uma possível correcção de rotas devido à mudança na liderança dos Estado Unidos, com o presidente eleito, Barack Obama, a dar mostras, relativamente a acordos sem restrições de comércio livre, de uma atitude muito mais céptica do que a do presidente Bush.

O novo representante comercial dos Estados Unidos, Ron Kirk, é considerado pró-comércio, tendo declarado o seu apoio ao Acordo de Comércio Livre Norte-Americano (NAFTA), mas ao aceitar o cargo sugeriu que iria promover a visão de Obama sobre o comércio.

Barack Obama, como senador votou a favor de um acordo de comércio livre com Omã, mas opôs-se a um acordo com países da América Central e das Caraíbas, justificando que aquele tinha poucas disposições relativamente ao trabalho e ao ambiente, tendo criticado ainda os acordos de comércio livre que a Administração Bush estabeleceu com a Coreia do Sul e a Colômbia, que ficaram parados no Congresso, razões que levam a acreditar que o comércio livre não terá lugar de destaque na agenda de Obama.

Fonte: Público e Confagri

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