As crianças cujas mães são abusadas pelos seus parceiros têm maior risco de se tornarem obesas, segundo um novo estudo da Universidade de Boston, nos Estados Unidos.
De acordo com os autores, quanto mais vezes ocorrem esses abusos e violências, maiores os riscos de as crianças pré-escolares, especialmente as do sexo feminino, ganharem peso em excesso.
A ligação entre as adversidades na infância e problemas de saúde física e emocional na idade adulta tem sido demonstrada por diversos estudos, mas este é o primeiro a sugerir uma conexão entre a violência contra as mães e a obesidade de crianças pequenas.
«É sempre triste ver o vasto impacto que as adversidades no início da vida podem ter sobre os resultados de saúde a longo prazo», destacou a investigadora Renee Boynton-Jarrett, líder do estudo.
Entrevistando as mães de 1,6 mil crianças nascidas entre os anos de 1998 e 2000 e medindo altura e peso dos pequenos, os cientistas descobriram que as crianças cuja mãe tinha sido cronicamente abusada pelo parceiro no período tinham 80% mais probabilidades de serem obesas aos cinco anos. E os resultados indicaram que essa associação entre a exposição à violência doméstica e a obesidade infantil era mais forte entre as meninas e as crianças que viviam em vizinhanças «menos seguras».
De acordo com os autores, os resultados ocorriam independentemente de outros factores associados à obesidade infantil, incluindo dieta, tempo em frente à televisão, peso ao nascer, depressão materna e tabagismo na gestação.
Além disso, destacaram que essa associação estaria presente em populações de diversos níveis sócio-económicos e com escolaridade variada.
Baseados nas descobertas, os especialistas ressaltam que as intervenções para prevenção da obesidade infantil devem considerar o impacto da violência doméstica – considerada, pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, um sério problema nos EUA, afectando cerca de 5 milhões de mulheres por ano no país.
«Se pudermos combinar os dois esforços em alguns aspectos, poderemos fazer um trabalho melhor de prevenção no início precoce da obesidade. Melhorar a segurança da comunidade pode também ajudar a reduzir a obesidade infantil», concluíram.
Fonte: Diário Digital
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal