Crianças contaminadas no hospital

Foram infectadas por uma bactéria «muito rara». Hospital diz que uma das oito crianças morreu, mas não confirma que tenha sido devido à bactéria. Estado dos outros miúdos é muito delicado.

Oito crianças internadas no Hospital de S. João (HSJ) foram infectadas por uma bactéria «muito rara» detectada há mais de uma semana no controlo de esterilização das bolsas de alimentação por via parentérica, disse fonte hospitalar, citada pela agência Lusa.

Em declarações à agência Lusa, a adjunta da direcção clínica do HSJ, médica Margarida Tavares, referiu que uma das crianças morreu no dia 12, não se sabendo, por enquanto, se foi devido à presença da bactéria [do tipo klebsiella].

A adjunta da direcção do hospital adiantou que foram encontradas na criança outras duas bactérias.

«Já sabemos que foi reconhecida a presença da klebsiella ou nas bolsas ou no sangue de oito crianças, mas a situação encontra-se agora estabilizada», disse Margarida Tavares.

Contudo, acrescentou que «não se sabe como pode evoluir e qual o contributo desta infecção bacteriológica para o estado actual dessas crianças», sendo, por isso, prematuro falar sobre possíveis sequelas.

Segundo a médica, «estamos a falar de crianças com uma sobrevida, à partida muito comprometida, isto é, crianças cuja possibilidade de sobrevivência é muito baixa».

Ainda não foi identificada a fonte de contaminação, mas Margarida Tavares garante que «foram cumpridas todas as normas para a produção, em segurança, destes alimentos».

Numa nota enviada à Lusa, o HSJ indica que assegura «vigilância microbiológica diária da produção de todas as bolsas» que são produzidas pelos Serviços Farmacêuticos.

O hospital pediu à Comissão de Controlo de Infecção e ao Serviço de Qualidade Operativa a realização de uma auditoria à actividade clínica relacionada com a alimentação parentérica das crianças e o processo de produção das bolsas utilizadas, efectuada pelos Serviços Farmacêuticos.

Até ao momento, «a Comissão Controlo de Infecção não detectou qualquer irregularidade na linha de produção destas bolsas», refere-se na nota.

Decorrem ainda «um processo de averiguações e estudos de rastreio microbiológico que envolvem os técnicos dos Serviços Farmacêuticos, os meios utilizados na produção e a qualidade do ambiente onde são produzidas as bolsas», sublinha o HSJ.

«Os serviços do S. João produzem este tipo de alimentação para 30 pessoas por dia, sobretudo crianças», especifica Margarida Tavares.

O S. João suspendeu já essa produção, pelo que, «em princípio, deixou de existir essa fonte de contaminação, tendo sido montado um plano de contingência para o fornecimento de suporte nutricional parentérico, através da colaboração de outras unidades hospitalares do norte do país», disse a médica.

A adjunta da direcção clínica do HSJ admitiu que, nestes casos, «é impossível ter cem por cento de segurança», sublinhando que se trata de «riscos que um serviço de saúde corre ao tratar situações tão graves como estas, envolvendo crianças com múltiplos problemas».

Fonte: Portugal Diário

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