Um novo Movimento para uma Organização Mundial da Agricultura (MOMA) nasceu em Paris, para rejeitar os modelos económicos mundiais vigentes, que condenam metade da população mundial à subnutrição e não respondem a questões essenciais para o futuro da Humanidade, como a luta contra a pobreza ou a garantia da independência e soberania dos Estados.
Segundo o movimento, constituído por personalidades de diversos sectores, os modelos agrícolas do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e da OCDE, são utilizados pela maioria dos governos e das grandes instituições como armas estratégicas no seio das organizações internacionais. “Um mercado sem regras é como uma democracia sem lei. Os modelos utilizados no mercado internacional são parciais, promovem o ‘dumping’ social e comercial. Falamos de questões geoestratégicas”, declarou ontem Pierre Pagesse, presidente do MOMA, na primeira conferência de Imprensa.
Entre as grandes imperfeições detectadas nos modelos actuais, o MOMA sublinha que a procura dos produtos agrícolas não é elástica em relação ao preço, não integram os acordos preferenciais essenciais para os países em desenvolvimento – dando a ilusão de que a supressão sistemática dos direitos aduaneiros enriquecem os países pobres, quando na realidade é mais complexo do que isso -, vêem o sector agrícola como independente do meio ambiente, onde a energia, os transportes, as regulamentações fitossanitárias ou os constrangimentos ambientais não são integrados.
Também não têm em conta os fenómenos de especulação, nem de armazenagem, como se o capital estivesse indefinidamente disponível, nem a inovação. Por serem modelos frágeis, o MOMA diz que “não podem estar na base das negociações internacionais” e critica a União Europeia por “não ter um modelo seu”.
Há cerca de 15 dias, Pierre Pagesse apresentou a arquitectura de um novo modelo a Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, que o considerou interessante”, adiantou ao JN Alain Catala, vice-presidente do MOMA. Também a ministra francesa do Comércio Externo, Christine Lagarde, foi abordada pelo movimento, concluindo “estar correcto e que há interesse em haver mais elementos para tomar decisões de liberalização em Hong-Kong”, acrescentou. O MOMA vai apresentar as imperfeições detectadas e uma arquitectura para um modelo futuro na reunião da Organização Mundial do Comércio em Hong-Kong, na próxima semana.
Fonte: JN
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