Ma Hing, especialista do sector lácteo chinês, analisou a economia leiteira do país em palestra no 11° Congresso Pan-americano do Leite, que decorreu em Belo Horizonte (Brasil). Nos últimos anos, a China tem-se um importante foco de atenção para as economias de todo o mundo e atraído a atenção de investidores interessados em aproveitar o potencial de um mercado de 1,3 mil milhões de pessoas. Com o sector leiteiro, acontece exactamente o mesmo.
Centenas de empresas do sector, espalhadas por todo o mundo, passaram a ter relações comerciais com o país asiático nos anos mais recentes, e a tendência é que isso se intensifique no futuro, de acordo com Ma Ying, do Harbin Institute of Technology da China. Durante a sua análise, aquela especialista ressaltou o crescimento da produção e o aumento ainda maior da procura no mercado lácteo chinês, que movimenta 13,8 mil milhões de dólares por ano e corresponde a 8,3 por cento da produção alimentar do país, de acordo com os dados relativos a 2006.
Graças a acções do governo, como o incentivo à produção e ao consumo, a população tem adquirido o hábito de tomar mais o leite e diversos derivados. De 2001 a 2006, o consumo per capita de leite por ano passou de 7,92 litros para 16,2, em grande parte importado da Austrália e da Nova Zelândia. Em relação à exportação, Ma Ying explicou, “a nossa produção nacional não é capaz de abastecer o mercado doméstico.”
“Hoje, o leite ainda é mais consumido por pessoas mais velhas, mas há um trabalho para incentivar o consumo entre os mais jovens”, diz. Entre essas medidas, está a inclusão do leite na alimentação oferecida pelas escolas. A preferência deste grupo, no entanto, ainda recai sobre os derivados como os iogurtes enriquecidos e os queijos, produto que, ao lado da manteiga, deve apresentar os maiores crescimentos da procura a curto/médio prazo, ao lado dos produtos lácteos funcionais.
Segundo Mai, há aspectos que afectam a expansão da procura do leite e derivados, já que, por exemplo, boa parte da população tem intolerância à lactose, e há também questões culturais, como a preferência pelo chá e, mais recentemente, o caso da contaminação do leite em pó com melamina. O caso acabou por ter impacto na procura do leite. Apesar disso, Mai acredita que é um mito a ideia de que chineses não gostam de leite ou de queijos de sabores mais fortes. “O que acontecia era que não tínhamos muito acesso a esses produtos, mas isso agora está a mudar”, finalizou.
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal