A biotecnologia pode ser determinante para o desenvolvimento da indústria têxtil portuguesa, especialmente em mercados tradicionais, revelou ontem o coordenador do estudo “ViaBio: Biotecnologia e Inovação na Industria Portuguesa – Oportunidades Tecnológicas e de Mercado”.
“Existe algum potencial claramente por aproveitar nas empresas a nível de investigação e desenvolvimento no sistema científico nacional, particularmente áreas onde a biotecnologia não é muito óbvia e onde as empresas não estavam muito viradas para ir buscar essa inovação”, constatou Nuno Arantes e Oliveira.
O coordenador explicou que o estudo permitiu avaliar “áreas genéricas dentro da biotecnologia, como tecnologias específicas, como linhas de investigação, que são de interesse para o sector têxtil”.
A biotecnologia é “uma área altamente transversal e que tem trazido muitos benefícios a nível mundial”, nomeadamente “fármacos para determinadas doenças, benefícios no processamento alimentar, aproveitamento de resíduos agrícolas e florestais e novas formas de energia”.
“É mais difícil dizer quais são as indústrias produtivas em que a biotecnologia não pode contribuir”, sublinhou. Este subaproveitamento do potencial científico deve-se, segundo o coordenador do estudo, a razões históricas, nomeadamente o “atraso científico nesta área durante muitos anos e a uma indústria forte em sectores tradicionais onde a inovação não era prioridade”.
No entanto, “agora, a inovação passou a ser a única maneira de a indústria se diferenciar da concorrência que tem a nível mundial”, disse. Para o presidente da COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação, existe um “défice de atitude do lado da procura e do lado da oferta”.
“É preciso que os portugueses que descobrem novos caminhos para o nosso futuro estejam mais em ligação com quem pode empregar esse conhecimento”, defendeu Artur Santos Silva, sublinhando que os investigadores deviam ter uma “atitude mais pró-activa”.
Isto é, “contactar as empresas que podem usar esse conhecimento para que o usem e paguem”, apesar de reconhecer que muitas pequenas empresas “não têm massa crítica e têm dificuldade financeiras em empregar esse conhecimento”.
Fonte: Lusa
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