O consumo de cogumelos alucinogénios pelos jovens europeus é esporádico e motivado pelo desejo de viver uma “experiência intensa”, sem que haja tendência para uma utilização regular, de acordo com a agência europeia para a matéria.
O Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT) apresenta, hoje, Dia Internacional contra a Droga, os resultados de um estudo que indicam que a prevalência de consumo de cogumelos alucinogénios ao longo da vida se situa entre 1% e 3% para os jovens europeus.
Valores que são semelhantes aos registados, em Portugal, num dos últimos inquéritos sobre a matéria (realizado em 2001), adiantou à agência Lusa a coordenadora nacional de estudos em meio escolar do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), Fernanda Feijão.
Este trabalho, realizado em 2001, com alunos do 3.º Ciclo e do Secundário de todas as capitais de distrito e concelhos da Grande Lisboa e Grande Porto, indica que a média nacional da prevalência do consumo destas substâncias era de 4%. O estudo vai ser actualizado em Novembro deste ano e, de acordo com Fernanda Feijão, o valor apurado “não é elevado” e “denota que há um consumo apenas por experimentação”.
Segundo o primeiro de um conjunto de estudos a publicar pelo OEDT, no âmbito de um projecto-piloto para detectar novas tendências de consumo de drogas na União Europeia (UE), a prevalência estimada do uso de cogumelos mágicos na UE é consideravelmente mais baixa do que a da cannabis, mas similar à registada para o ecstasy.
Para Fernanda Feijão, esta “não é uma droga com a qual seja fácil lidar”, devido às alucinações e percepções alteradas da realidade que provoca, que “assustam um bocado”.
Entre os estudantes europeus, a prevalência de uso de cogumelos mágicos ao longo da vida é igual à do ecstasy na República Checa, Dinamarca, Itália, Holanda, Áustria e Polónia, revelam os dados, recolhidos entre Julho e Outubro de 2005.
O OEDT adianta também que, desde 2001, seis países europeus (Dinamarca, Holanda, Alemanha, Estónia, Reino Unido e Irlanda) apertaram o controlo à comercialização de cogumelos alucinogénios e que esta iniciativa teve impacto na prevenção da difusão do seu uso.
De acordo com o OEDT, a cannabis é a droga mais consumida em toda a Europa, onde 62 milhões (20% da população adulta) já a experimentaram ao longo da vida, mas a cocaína aparece logo em segundo lugar, apontando as estimativas do Observatório para que mais de nove milhões de europeus já tenham consumido esta substância.
No que se refere a outras substâncias, os dados do OEDT referem também uma tendência para o crescimento do consumo de ecstasy e anfetaminas entre os jovens adultos na maioria dos países da UE e estimam que cerca de 2,6 milhões de adultos (0,8% da população adulta) consumiram ecstasy recentemente.
Fonte: Jornal de Notícias
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