Consumidor menos fiel e mais racional

O consumidor está a mudar. Se antes era fiel e tinha confiança nas marcas, sobretudo nas mais caras, porque as associava a uma maior qualidade, hoje em dia as coisas já não são bem assim. Com a crise económica e um novo estilo de vida, marcado pela falta de tempo, o consumidor é hoje mais exigente, também porque tem uma maior possibilidade de escolha.

Um estudo da OMNI Trends, apresentado na semana passada, conclui que o consumidor está mais racional, e por isso mesmo, o preço é cada vez mais um factor decisivo, mais até do que a conveniência. À medida que aumenta a racionalidade, diminui a fidelidade. Hoje o consumidor frequenta cada vez mais lojas diferentes. O número médio de insígnias visitadas por lar tem vindo a aumentar e em 2008 atingiu as 4,7.

O estudo mostra que 71 por cento dos consumidores são «objectivos», 87 por cento utilizam cupões de desconto e 77 por cento comparam preços. O novo consumidor passa pelas várias lojas à procura da melhor relação qualidade/preço e também já tem em conta os combustíveis baratos que se vendem nalgumas destas superfícies.

Marcas da distribuição modernizaram-se
Mas não foi só o consumidor que mudou. As marcas da distribuição também. No início eram pouco atractivas, «sem orgulho», e muitas vezes associadas à baixa qualidade, compradas apenas pelos consumidores das classes baixas e unicamente por razões de preço. Com os anos foram evoluindo, primeiro copiando os líderes, depois ganhando identidade própria, melhorando a imagem e a qualidade. Foram apostando na comunicação e ganhando consumidores e hoje são uma realidade nova.

Hoje em dia as cadeias de super/hipermercados têm uma classe de produtos focada no preço, que chega a ser 50 por cento mais barata do que o produto de referência, como é o caso das marcas Polegar, no Jumbo, e da marca é, no Modelo e Continente. Mas têm também marcas próprias, mais próximas dos líderes de mercado, mas que continuam a ser 15 por cento mais baratas, e ainda linhas de produtos gourmet, que apostam na qualidade e na inovação. Hoje em dia estes produtos já chegam a todas as classes de consumidores.

As vendas de marcas da distribuição cresceram em 2008 três vezes mais que o mercado e representam já um terço do total. 58 por cento dos consumidores acredita que têm a mesma qualidade que os produtos de outras marcas.

Uma luta que causará baixas
As cadeias acabam por retirar muitas marcas das prateleiras e pressionar os fornecedores. Muitos demarcam-se das marcas de distribuição, mas há ainda 20 por cento que produzem, além dos produtos de marca, os produtos das cadeias de distribuição.

O estudo revela que, para ganharem espaço às marcas, os produtos da distribuição têm de inovar e apostar na imagem, na comunicação e na reputação e manter preços competitivos. Ainda assim, os anunciantes acreditam que, do confronto, sairão muitas baixas: nem todas as marcas conseguirão resistir, tanto das marcas tradicionais como das de distribuição.

Fonte: Anil

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