Jesús Serafín, é, desde Junho de 2009, presidente da Confederação das Indústrias Agro-Alimentares da União Europeia (CIAA), entidade patronal comunitária que representa mais de 300.000 empresas do sector da alimentação e bebidas. No ‘roadmap’ para o seu mandato de três anos, aparece sublinhada a melhoria da competitividade de um sector que factura 965 mil milhões de euros, compra 70% da produção agrícola e gera 4,4 milhões de postos de trabalho.
Do seu ponto de vista, “a concentração na grande distribuição é um problema, pois supõe um desequilíbrio na cadeia de valor”. Segundo os dados da CIAA, uma dezena de distribuidores controla 301 mil fabricantes de produtos alimentares e bebidas e as três maiores cadeias de distribuição europeias possuem uma quota de mercado conjunta superior a 50%. “Há que regular esta situação, porque, quando se produzem desequilíbrios fortes num sector e existem posições de domínio, quem sai especialmente prejudicado é o consumidor”.
Ao nível máximo
Jesús Serafín destaca que um reflexo de que verdadeiramente existe este problema é a criação de un fórum de alto nível sobre a melhoria do funcionamento da cadeia alimentar na União Europeia, que formalmente foi constituído ontem e que será um órgão consultivo. Serafín, como presidente da CIAA, será um dos membros deste Fórum, no qual também participam quatro comissários, doze ministros europeus, vários empresários do sector alimentar, bem como representantes do comércio e dos agricultores.
O fórum substitui o grupo de trabalho europeu que elaborou 30 recomendações para melhorar a eficiência da cadeia. Segundo a CIAA, o estudo dos efeitos das marcas brancas e a proposta para elaborar um código de conduta que possa velar pelas relações entre a indústria e a distribuição a nível europeu são determinantes.
“Um dos objectivos do Fórum será analisar os estrangulamentos na cadeia alimenta e colocar fim às práticas desleais”, afirma Jesús Serafín, que reconhece que os fabricantes se encontram entre a espada e a parede porque, se as empresas denunciam aquelas práticas, perdem os clientes. Na sua opinião, o problema ultrapassa a indústria, que se encontra comprimida entre os 14,5 milhões de agricultores europeus e a grande distribuição. “A perda de rendimento agrícola é uma má noticia para todos, porque necessitamos de uma agricultura europeia saudável, forte e competitiva”, afirma.
“Por isso, devem ser o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia os que devem determinar as regras do jogo”, reforça aquele responsável. “Pedimos que se aplique o direito da concorrência”. Aquele Fórum, entretant, na sua primeira reunião definiu o seu calendário de actuação, sendo que os respectivos trabalhos estão previstos para se prolongarem até finais de 2012.
Fonte: Anil
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