Concelho da Murtosa: 80 explorações pecuárias encerradas

Oitenta explorações agrícolas do concelho da Murtosa encerraram nos últimos três anos porque não conseguiram fazer face às despesas de produção.

A afirmação é de João Lopes, presidente da Cooperativa agrícola do Bunheiro, Murtosa, que expressa a preocupação da cooperativa em relação ao futuro das 241 explorações activas do concelho, lamentando o facto de «nos últimos seis meses, os factores de produção» terem registado um aumento entre 30 a 50 por cento, nomeadamente no caso das rações, adubos, sementes e gasóleo, «de tal ordem, que o aumento dass receitas derivadas da subida do preço do leite, no último trimestre, já está quase absorvido».

Em contrapartida, acrescentou João Lopes, «as grandes empresas de lacticínios, que dominam o mercado, prevêem a descida do leite, entre seis e oito cêntimos por litro», o que significa que com as subida do preço de produção verificados desde 2007 e a provável descida do leite, «vai ser insustentável continuar a trabalhar, porque os factores de produção têm tendência a aumentar e o leite a diminuir»., sublinhou.

Por seu lado, os associados da CABM dizem não encontrarem qualquer justificação para uma descida tão abrupta do leite, até porque as grandes empresas continuam a vender o leite no mercado, «mantendo ou aumentando os mesmos preços».

A cooperativa considera que o Ministério da Agricultura devia «impor regras aos industriais para que não tenham o poder de subir e descer o leite quando bem entendem, pois esta descida do leite» salienta, vai «impedir» os seus associados do sector de trabalharem».

Outro factor desfavorável assinalado pela CABM é a obrigatoriedade imposta a todas as explorações a procederem ao licenciamento, até Dezembro de 2008, visto que 85 por cento do concelho da Murtosa está referenciado como Reserva Ecológica Natural (REN) ou Reserva Agrícola Nacional (RAN).

Ou seja, realça João Lopes, «o Ministério do Ambiente está a complicar o licenciamento no concelho, pois não o reconhece como sendo agrícola, apesar de ter «sete mil animais, 241 explorações activas e» produzir «22 milhões de litros de leite, por ano», lembrando ainda o responsável que «70 por cento do movimento económico da Murtosa provém da agricultura e pesca, estando em causa mil postos de trabalho directos».

Perante a dificuldade encontrada nos processo de licenciamento, os investimentos dos agricultores não vão ser «contemplados no novo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), não vão poder produzir leite a partir de 2009, ou seja, vão acabar» com a produção no concelho, frisou João Lopes.

Fonte: JN e Confragi

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