A invasão estrangeira de leite e derivados já preocupa os produtores brasileiros. As importações de produtos lácteos comparadas com as de exportações apresentaram um saldo negativo de 87,9 milhões de dólares na balança comercial entre Janeiro e Julho de 2010. A entrada desses produtos no Brasil cresceu 17,8 por cento nos sete primeiros meses do ano, segundo o Ministério da Agricultura.
Entre os derivados, as entradas de queijo aumentaram 93 por cento e as de soro em pó 41,5 por cento.
Desde 2009 o mercado lácteo sofre perdas. Depois de registrar um saldo positivo de mais de 328 milhões de dólares em 2008, a crise internacional afectou as exportações. No ano passado, as receitas ficaram no vermelho num total de 99,3 milhões de dólares. Na avaliação do presidente da Comissão de Leite da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Rodrigo Alvim, a forte presença de produtos importados no mercado brasileiro é consequência da política cambial, já que o Brasil é auto-suficiente na produção desde 2001.
O responsáve da CNA acredita que o real está sobrevalorizado, o que encarece o produto nacional no mercado externo e facilita a importação. Outro ponto que pesa sobre os produtores, na opinião de Alvim, é o alto valor dos impostos que se traduz em mais despesas. “Existe o interesse de algumas indústrias em comprar leite de outros países. Supermercados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul já compram o leite UHT no Uruguai”, disse Alvim.
Campanha
O clima será o factor que vai decidir os rumos do mercado lácteo em 2010. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) indica que o fenómeno La Niña deve prolongar o período de seca e estiagem no país até Outubro e adiar o início da campanha. As más pastagens podem diminuir a expectativa de aumento de 5 por cento na produção em comparação com o ano passado. O Brasil produziu 26,7 mil milhões de litros de leite em 2009, segundo estimativa da CNA. A solução para amenizar as perdas com problemas climáticos seria o investimento na compra de rações.
Entretanto, o assessor técnico da CNA, Bruno Lucchi acredita que a queda de 13,35 por cento no preço pago ao produtor entre Maio e Agosto, aumentará ainda mais as despesas dos empresários que estão sem fundo de maneio. A forte seca na Rússia também fez aumentar o preço do trigo, cereal que é a base do suplemento para o gado.
Tudo isso faz com que o valor pago pelo consumidor por alguns produtos lácteos já supere a inflação de 3,1 por cento registada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, entre Janeiro e Agosto de 2010. O preço do leite pasteurizado, por exemplo, subiu 13,5 por cento — quatro vezes mais — e o do leite em pó, 6,5 por cento no acumulado dos oitos primeiros meses, de acordo com o IPCA. Na avaliação do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz, a falta de chuvas vai ter um impacto negativo n as despesas dos produtores, que precisarão de comprar rações para engordar o gado.
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal