Comissária da Agricultura em Portugal com Polémica Reforma do Vinho

A comissária europeia da Agricultura, Mariann Fischer-Boel, desloca-se a Portugal em Setembro para visitar a região do Douro, onde discutirá a polémica reforma do sector do vinho, cujo primeiro debate decorre terça-feira em Bruxelas ao nível dos 25.

A iniciativa da comissária insere-se numa série de deslocações que Fischer-Boel quer realizar aos principais produtores de vinho da União Europeia (UE), sendo Portugal o segundo país a receber a sua visita, após Espanha, em Junho, disse à agência Lusa fonte comunitária.

Do programa provisório da visita, que decorrerá entre 01 e 03 de Setembro, constam encontros com o ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Jaime Silva, e com representantes do sector vitivinícola português.

A futura reforma do sector do vinho estará no centro da discussão do conselho de ministros da Agricultura da UE, que se realiza terça-feira em Bruxelas, que pela primeira vez se pronunciarão sobre as intenções da Comissão de destruir 400 mil hectares de vinha e reduzir as ajudas ao sector sob o argumento da necessidade de se produzir “menos e melhor” vinho.

O documento, apresentado a 22 de Junho, aponta quatro cenários para o sector vitivinícola, que servirão de base a propostas concretas para a reforma da Organização Comum de Mercado (OCM) do vinho, no início de 2007, e que poderão levar à liberalização do sector.

O objectivo de Bruxelas é limitar os excedentes de vinho existentes no mercado, provocados não só pela dificuldade de escoamento, mas também pela mudança de hábitos, que levaram à redução do consumo de vinho.

A comunicação do executivo comunitário aponta quatro cenários para o sector, promovendo nomeadamente o arranque de vinhas (400 mil hectares), mediante o pagamento de prémios (2.400 milhões de euros em cinco anos), tendo em vista reduzir a produção vitivinícola na Europa, cujos excedentes obrigam, nomeadamente, à destilação, solução que Bruxelas quer proibir.

Jaime Silva já afirmou que Portugal não deverá ser largamente afectado, uma vez que o excedente de vinho, apontado como uma das razões para a reforma, “é um problema sobretudo noutros países”.

O problema para o país poderá estar, no entanto, no fim das ajudas à destilação, que Portugal recebe para o vinho do Porto, segundo fonte do Ministério da Agricultura português.

Por seu lado, Mariann Fischer-Boel considera “urgente” a reforma do sector vitivinícola na UE, querendo que as novas regras entrem em vigor em 2008.

De outra forma – antevê – receia que o “sistema entre numa crise irreversível”.

Portugal, França, Espanha e Itália são responsáveis por 80 por cento da produção comunitária de vinho na UE.

Em Portugal, existem 236 mil hectares de vinha, num total de 3,5 milhões de hectares na UE, e 39.500 produtores declarados.

Fonte: Lusa

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