A comissária europeia da Agricultura, Mariann Fischer Boël, apelou, em comunicado, à boa vontade dos líderes de todos os estados-membros que, na próxima terça-feira, vão reunir-se para debater e tentar chegar a acordo na reforma do sector do açúcar.
«As negociações serão duras, mas peço aos ministros que sejam corajosos. Temos mantido contactos intensos com todos os estados-membros, tentando convencer o maior número possível. O sector açucareiro não sofreu reformas de vulto durante 40 anos. Precisamos de reformar agora para assegurar um futuro à produção de açúcar na Europa e dar confiança a longo prazo aos produtores».
Fischer Böel considerou que «não há alternativa a uma reforma de grande envergadura», lê-se em comunicado. «Se mudarmos agora, fazemo-lo segundo as nossas próprias condições, com dinheiro em carteira para atenuar as dificuldades. Se não agirmos, ser-nos-á imposta uma reforma sobre a qual teremos pouco controlo e que será mais dura para os produtores mais competitivos».
A comissária assegurou que as propostas apresentadas «darão à produção comunitária de açúcar uma posição sustentável a longo prazo», diz o mesmo comunicado. «Oferecemos uma compensação generosa para os agricultores» e «proporcionamos um fundo de reestruturação generoso àqueles que desejem deixar o sector».
Para a responsável, «os agricultores e as empresas de transformação precisam de segurança a longo prazo para poderem investir. O actual regime comunitário do açúcar chega ao seu termo em Julho do próximo ano. Este regime mantém os preços comunitários a um nível três vezes superior aos do mercado mundial, o que é totalmente insustentável».
Fischer Böel explicou que «o regime açucareiro deve ser alinhado pelo resto da política agrícola comum já reformada, incluindo a substituição dos subsídios ligados à produção pelo pagamento único dissociado. A União Europeia tem que respeitar os seus compromissos internacionais».
«Comprometemo-nos a autorizar importações de açúcar, não contingentadas e isentas de direitos, dos 50 países mais pobres do mundo. E devemos, ainda, implementar as conclusões do painel da OMC sobre o açúcar até Maio do próximo ano. Por último, um acordo sobre o açúcar reforçará consideravelmente a nossa posição na reunião ministerial da OMC em Hong Kong, no próximo mês», concluiu a comissária.
Fonte: Comissão Europeia
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