A Comissão da Seca admite tomar medidas a partir de Janeiro se continuar a chover pouco, tendo em conta a possibilidade de Portugal enfrentar no próximo ano uma grave situação de seca, como a de 2005.
O presidente do Instituto da Água (INAG), Orlando Borges, que preside à comissão da seca, afirma ser «prematuro saber se vamos ter seca em 2008» no entanto, «a precipitação dos últimos dias não significa que tenha sido ultrapassado o cenário de seca» para o próximo ano.
Na reunião de ontem daquela comissão, responsáveis da protecção civil, da meteorologia, autoridades marítimas, agricultura, gestão das albufeiras e energia passaram em revista a situação no país decorrente da falta de chuva.
«Analisada a situação meteorológica, de escoamentos de água, armazenamentos nas albufeiras e as afluências e armazenamentos de Espanha, concluímos que estamos próximos de uma situação de seca como a de 2005, mas temos até Janeiro para recuperar», afirmou à Lusa o presidente do INAG, Orlando Borges.
Os valores de armazenamento de água estão «abaixo» da média para esta altura do ano, mas o presidente do INAG acredita que ainda é cedo e que tudo pode ser resolvido se a chuva se mantiver.
«Para já, não se justifica propor medidas excepcionais», de restrição nos consumos de água, adiantou Orlando Borges, adiantando que a Comissão decidiu apenas fazer «uma acompanhamento muito preciso, sobretudo das albufeiras».
Dentro de pouco mais de um mês, em Janeiro, a comissão volta a reunir-se para fazer novo ponto da situação e analisar a possibilidade de medidas excepcionais, se a precipitação atingir a média normal para esta altura do ano.
Os últimos dados do INAG, relativos ao corrente mês de Novembro, registam uma descida no volume armazenado «em todas» as bacias hidrográficas monitorizadas, quando comparado com os valores de Outubro: das 57 albufeiras monitorizadas, oito apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80 por cento do volume total e 13 inferiores a 40 por cento da sua capacidade.
«Os armazenamentos de Novembro de 2007 por bacia hidrográfica apresentam-se inferiores às médias de armazenamento de Novembro (período 1990/2000), excepto para as bacias do Ribeiras do Oeste, Tejo e Sado», lê-se na página da Internet do Instituto. «Se continuarmos com pouca chuva, admito tomar medidas excepcionais», frisou o presidente do INAG.
Para já, a situação é apenas preocupante em duas barragens do Tejo – Póvoa e Meimoa e numa do Guadiana, a de Lucefecit. «São barragens que merecem acompanhamento» devido aos níveis de armazenamento, tendo em conta as necessidades de rega da agricultura, adiantou.
Para acompanhar a situação destas barragens e verificar a necessidade de medidas excepcionais de controlo do uso da água, foi marcada para a próxima semana uma reunião da sub-comissão regional da seca.
O passado mês de Outubro foi o mais seco deste século e o segundo mais seco dos últimos dezoito anos, segundo dados do Instituto de Meteorologia.
Há duas semanas, o Ministro do Ambiente e o vice-presidente do Instituto da Água (INAG) desdramatizaram os efeitos do tempo seco, referindo que as reservas das albufeiras portuguesas «são boas».
«Estamos num período seco, mas não de seca», disse o vice-presidente do INAG, José Rocha Afonso, numa conferência sobre sistemas de gestão de secas, acrescentando que as albufeiras e os aquíferos estão em bom estado no que respeita aos níveis de água.
À margem desta conferência, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, disse à Lusa que as barragens «estão bem abastecidas» e que «a situação está a ser acompanhada com muita atenção», mas sem muita preocupação.
Fonte: Agroportal
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