Comerciantes de peixe receiam monopólio na lota

Cerca de três dezenas de comerciantes de peixe da Figueira da Foz manifestaram- -se, ontem, contra alegadas manipulações de preços nos leilões da lota local. Os contestatários vão, entretanto, denunciar o caso à Procuradoria-Geral da República.

Segundo a Associação de Comerciantes de Pesca da Figueira da Foz (ACPFF), recentemente constituída, em causa estão alegadas manipulações de preços nos leilões da lota. Os comerciantes queixam-se de “ilegalidades” e contestam o “monopólio” da Centro Litoral OP – Cooperativa de Produtores de Peixe -, uma estrutura formada pelos armadores locais, no processo de venda do pescado.

“O presidente da Centro Litoral [António Lé] comete inúmeras ilegalidades. Se por exemplo, num dia houver 20 mil quilos de sardinha para venda, com o sistema que está instalado, ele pode meter apenas 500 quilos à venda e ficar com 19 500 para ele. Depois vai entregar esse peixe às grandes superfícies comerciais, com quem fez contratos, fazendo concorrência aos pequenos comerciantes”, protestou, aos jornalistas, José Santos, da ExpoMira, empresa de comércio de pescado.

“Dessa forma está a promover a concorrência desleal aos comerciantes de peixe que todos os dias vão à lota negociar”, reforçou Hélder Marques, da FigueiraPeixe.

O receio dos comerciantes aumentou após a anunciada privatização da delegação da Docapesca local, que pode vir parar, no âmbito de uma restruturação a nível nacional, às mãos da Centro Litoral OP.

“A concretizar-se essa intenção, o Ministério das Pescas estará a criar um monopólio local no mercado do peixe, uma situação que põe em causa cerca de 400 postos de trabalho”, contestou José Paixão, presidente da ACPFF, revelando ainda que a associação vai apresentar uma queixa à Autoridade da Concorrência.

Os contestatários pretendiam entregar ontem um abaixo-assinado, com 90 subscritores, ao ministro das pescas, Jaime Silva, cuja deslocação à Figueira da Foz estava prevista, mas que não chegou a acontecer, alegadamente por indisponibilidade de agenda. No documento, a que o JN teve acesso, os armazenistas contestam a eventual entrega da Docapesca à Centro Litoral OP.

Fonte: Jornal de Notícias

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